Quanto mais evolui a Medicina, menos saudáveis nos sentimos!

Estudo liderado pela Universidade Estadual de Ohio

23 março 2015
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Seria de esperar que com a evolução da Medicina e o crescimento da indústria médica no mundo ocidental, nos últimos 25 anos, a perceção que as pessoas têm da sua saúde fosse cada vez mais positiva.
 
No entanto, Hui Zheng, professor assistente de Sociologia na Universidade Estadual de Ohio, realizou um estudo, publicado no jornal Social Science Research, que demonstra exatamente o contrário.
 
Esta investigação fundamentou-se na base de dados sobre a saúde da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), nos Indicadores de Desenvolvimento Mundial e no Inquérito Mundial de Valores.
 
Com base nestes conjuntos de dados multinacionais, o autor avaliou a forma como as pessoas classificaram a sua saúde entre 1981 e 2007 e comparou-a com o desenvolvimento da Medicina em 28 países membros da OCDE.
 
As conclusões foram surpreendentes. Aparentemente, o acesso a mais cuidados médicos não melhora a nossa saúde subjetiva. Por exemplo, nos E.U.A., a percentagem de norte-americanos a relatar uma saúde excelente diminuiu de 39% para 28%, entre 1982 e 2006. 
 
Pessoas de todo o mundo classificaram a sua saúde com base numa escala de 1 (muito fraca) a 5 (muito boa).
 
Zheng avaliou três tipos de evolução médica: o investimento médico, a profissionalização e especialização médica e a expansão da indústria farmacêutica.
 
O autor teve em consideração diversas variáveis para além da evolução médica, tais como o desenvolvimento económico e a esperança de vida à nascença. Aspetos individuais foram também considerados, tais como o estado civil, nível de formação e rendimento de cada indivíduo.
 
Mesmo tendo em conta todos estes fatores, todos os três tipos de evolução médica foram associados a uma perceção da saúde mais negativa.
 
As razões apontadas pelo investigador são várias. Por um lado, o desenvolvimento da Medicina faz com que sejam descobertas cada vez mais doenças, o que aumenta o risco de uma pessoa ser diagnosticada com uma nova doença. Por outro lado, os rastreios são mais agressivos, o que permite chegar a um diagnóstico cada vez mais precocemente. Finalmente, o facto de termos mais cuidados médicos também poderá contribuir para que as pessoas se tornem mais exigentes e que, por isso, tenham expectativas mais irrealistas sobre a sua saúde.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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