Quando o coração trai os atletas

Basquetebolista de 28 anos atingido por morte súbita em campo. Porquê?

05 março 2002
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Paulo Pinto, considerado um dos melhores basquetebolistas portugueses da actualidade e que representava o Aveiro Basket, completava no próximo mês 28 anos. O internacional português morreu no passado domingo, após ter sido vítima de uma paragem cardíaca em pleno jogo com o Benfica, da Liga profissional de basquetebol.
 

 

Aos oito minutos de jogo, e durante o intervalo, Paulo Pinto, desmaiou para nunca mais voltar à vida. O estranho, comentou um amigo às televisões nacionais, é que Paulo Pinto, que recentemente acabou de concluir o curso de Medicina, tinha cuidados redobrados com a alimentação e exercício, hábitos que tinha consolidado como jogador internacional.
 

 

Se o caso de Paulo Pinto leva a que se levantem inúmeras questões - por ser jovem, desportista e saudável – o mesmo acontece com outros dois atletas que morreram em situações semelhantes. Na mesma época de 1997/98 o basquetebol nacional perdeu dois desportistas. Angel Almeida, 24 anos, e Rui Guimarães, 22 anos, jogadores da Portugal Telecom, morreram no decorrer de treinos.
 

 

Nestes três casos, o coração deixou de funcionar. Mas como pode um coração novo e, aparentemente, saudável deixar de funcionar? Aos olhos do senso comum quanto mais desporto, melhor para a saúde. Mas, afinal, não será bem assim? O que fará inverter a ordem natural das coisas?
 

 

Problemas de coração
 

 

Numa página na Internet sobre «Morte súbita em jovens atletas», João Freitas cardiologista especialista em Medicina Desportiva, refere que «a morte súbita de um atleta jovem está frequentemente relacionada a algum tipo de problema no coração.»
 

 

Segundo o especialista, estas situações durante a actividade desportiva são extremamente raras nos atletas ou em indivíduos que praticam ocasionalmente desporto. A ocorrência foi calculada em 0,77 a 13 mortes por 100000 praticantes por ano.
 

 

A Cardiomiopatia Hipertrófica Obstrutiva (CMHO) - hipertrofia que pode reduzir o volume do coração e dificultar a ejecção parcial do sangue que sai do ventrículo esquerdo (o que bombeia o sangue para o corpo) -é a principal causa responsável de morte súbita entre os jovens atletas. A doença «é herdada dos pais em cerca 50 %. Pode manifestar-se a qualquer hora, sem aviso prévio, desde o período pré-natal até cerca da terceira década», refere o estudo.
 

 

Apesar de ser a mais frequente, a CMHO não é a única doença que pode levar à morte súbita. Segundo o estudo, «as causas de morte mais frequentes descritas na literatura foram as doenças das artérias coronárias (doença coronária aterosclerótica, anomalia congénita das artérias coronárias, pontes musculares nas artérias coronárias…), a hemorragia subaracnoideia, a miocardiopatia hipertrófica, a displasia arritmogénica do ventrículo direito, a necrose mediocística da aorta associada ao síndroma de Marfan, a coartação da aorta, a miocardite, a embolia pulmonar, a estenose valvular aórtica, o prolapso da válvula mitral e a síndroma de Wolff-Parkinson-White.»
 

 

A tudo isto, também acresce também a pressão psicológica da alta competição que leva a que os atletas «estiquem» as suas capacidades ao limite.
 

 

Prevenção pode evita morte
 

 

Para o cardiologista existem factores de risco que identificam as vítimas de morte súbita. Quem, por exemplo, tiver na história familiar, morte súbita em idade jovem (antes dos 40 anos); Doença de coração; Perdas de consciência (síncopes).
 

 

Tontura ou perda de consciência durante exercício(síncopes), dor torácica durante o esforço, biótipo com corpo alto e longilíneo, com articulações laxas, ou electrocardiograma anormal são factores de risco a ter em conta.
 

 

Por isso, adianta o especialista, é importante apostar na prevenção. « A realização de exames complementares de diagnóstico cardiológico melhora a sensibilidade do rastreio de tal forma que a inclusão do Rx pulmonar, do Ecg de repouso, do ecocardiograma e da prova de esforço permitiria a identificação da maioria dos portadores em risco aumentado de morte súbita.»
 

 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

 

Fontes:
 

Faculdade de Medicina do Porto
 

Morte Súbita em Atletas Jovens
 

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