Quando a cura se torna um inimigo

Estudo publicado na revista “Immunity”

09 abril 2013
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O mesmo fator do sistema imune que ajuda a combater as inflamações severas também está envolvido na supressão da resposta imune. O estudo publicado na revista “Immunity” explica por que motivo e como este processo ocorre.
 

A inflamação crónica representa um problema de saúde global sendo comum a várias patologias, como doenças autoimunes, doenças inflamatórias crónicas e cancro. Vários estudos têm indicado que em determinado estádio destas doenças, o sistema imune fica suprimido, o que resulta na progressão da doença.

 

Um estudo anterior levado a cabo pela mesma equipa de investigação da Hebrew University, em Jerusalém, demonstrou que no decorrer da evolução da inflamação, dá-se a produção de um tipo específico de células imunes, as MDSC, que possuem capacidade supressora. Os especialistas referem que estas células são produzidas na medula óssea e migram para os vários órgãos e tecidos.
 

Os investigadores explicam que a acumulação destas células é suportada por compostos inflamatórios, entre os quais o TNF-alfa. Esta citocina está envolvida na resposta imune contra os patogénios invasores e células tumorais. Contudo, o TNF-alfa apresenta também características prejudiciais, estando envolvido em várias patologias como a artrite reumatoide, psoríase, diabetes tipo 2, doença de Crohn e cancro. Desta forma, a FDA aprovou substâncias bloqueadoras desta citocina para o tratamento destas patologias.
 

Neste estudo, os investigadores demonstraram, inequivocamente, em animais que o TNF-alfa desempenha um papel importante na indução da supressão imunitária durante a inflamação crónica. De facto, esta citocina afeta diretamente a acumulação das células MDSC, o que impede o sistema imune de responder aos agentes patogénicos invasores ou contra o desenvolvimento do cancro.
 

Os investigadores verificaram que a administração de um fármaco capaz de bloquear a ação do TNF-alfa anulava as capacidades de supressão das células MDSC, sendo a função do sistema imune restaurada.
 

De acordo com os autores do estudo, estes resultados fornecem uma nova visão sobre a relação entre o TNF-alfa e o desenvolvimento da supressão da resposta imunitária, durante a inflamação crónica. Estes resultados poderão ajudar no desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais eficazes contra diversas patologias em que esta citocina e as células MDSC são detetadas em níveis elevados, como no caso do crescimento tumoral.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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