Qualidade da relação mãe filho associada à obesidade na adolescência

Estudo será publicado na revista “Pediatrics”

02 janeiro 2012
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A qualidade emocional da relação entre uma mãe e o seu filho pode afetar o desenvolvimento da obesidade da criança durante a adolescência, dá conta um estudo que irá ser publicado em janeiro na revista científica “Pediatrics”.

 

Para o estudo, os investigadores Ohio State University, nos EUA, analisaram os dados de 977 indivíduos que tinham participado no Study of Early Child Care and Youth Development , um projeto da Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development. A amostra incluía várias famílias, de nove estados dos EUA, que tinham tido filhos nascidos em 1991.

 

Os investigadores analisaram detalhadamente as caraterísticas da relação entre as mães e os seus filhos em três momentos distintos: quando as crianças tinham 15, 24 e 36 meses. Um dos parâmetros analisados foi a sensibilidade materna, a qual se refere à capacidade da mãe em reconhecer o estado emocional dos seus filhos, respondendo com conforto, consistência e carinho. Por outro lado, os investigadores também observaram a segurança emocional da criança para com as suas mães. Com base nestes dois parâmetros os investigadores, liderados por Sarah Anderson, desenvolveram uma escala para avaliação da qualidade do relacionamento materno-infantil.

 

Quando as crianças atingiram os 15 anos de idade foi calculado o seu índice de massa corporal, o qual foi convertido em percentis de acordo com a idade e sexo da criança.

 

O estudo revelou que quanto mais baixa era a qualidade da relação, a qual teve em conta a segurança emocional da criança e a sensibilidade da mãe, maior era o risco da criança ficar obesa aos 15 anos. Os investigadores verificaram que, entre as crianças que tinham uma relação emocional de baixa qualidade com as suas mães, mais de um quarto ficaram obesos na adolescência, em comparação com 13% dos adolescentes que tiveram uma melhor relação.

 

Este estudo sugere que as áreas do cérebro que controlam as emoções e as respostas ao stress, bem como o equilíbrio do apetite e de energia, podem trabalhar em conjunto para influenciar a probabilidade de uma criança ficar obesa.

 

Os investigadores sugerem que esta associação, entre as experiências vividas em criança e a obesidade na adolescência, pode ter origem no cérebro. O sistema límbico do cérebro controla a resposta ao stress, bem como o ciclo de sono /vigília, a fome e a sede, e uma variedade de processo metabólicos, principalmente através da regulação de hormonas.

 

Em vez de culpar os pais pela obesidade infantil, os investigadores revelam que estas descobertas sugerem que a prevenção da obesidade infantil deve ter em conta estratégias para melhorar o vínculo mãe-filho e não se concentrar exclusivamente na alimentação e exercício.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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