Qual é o nível de consumo seguro de álcool? Nenhum, atestou estudo

Estudo publicado na revista “The Lancet”

29 agosto 2018
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Um estudo que abrangeu 195 países demonstrou que em 2016 três milhões de mortes no mundo foram atribuídas ao uso do álcool, incluindo 12% de mortes em indivíduos do sexo masculino com 15 a 49 anos de idade.
 
“Os riscos para a saúde associados ao álcool são enormes”, adiantou Emmanuela Gakidou, da Universidade de Washington, EUA, e autora sénior do estudo, que contou com a colaboração de mais de 500 investigadores, académicos e outros, oriundos de mais de 40 países.
 
“Os nossos achados são consistentes com outras investigações recentes que descobriram correlações claras e convincentes entre beber [álcool] e morte prematura, cancro e problemas cardiovasculares. Zero de consumo de álcool minimiza o risco geral de perda da saúde”, acrescentou.
 
Para o estudo, foram usadas 694 fontes de dados sobre o consumo de álcool a nível populacional em 2016. Juntamente com 592 estudos prospetivos e retrospetivos sobre o risco do uso de álcool. 
 
Como resultado, foi apurado que os 10 países com os maiores índices de mortalidade atribuída ao álcool em indivíduos com 15 a 49 anos de idade foram em países da Europa de Leste, Ásia Central, Báltico e África: a Rússia, Ucrânia, Lituânia, Belarus, Mongólia, Letónia, Cazaquistão, Lesoto, Burundi a República da África Central.
 
A contrastar, foi no Médio Oriente que se verificaram os índices mais baixos: Kuwait, Irão, Palestina, Líbia, Arábia Saudita, Iémen, Jordânia, Síria e ainda Maldivas e Singapura.
 
Portugal quase encabeçou uma das listas, tendo ficado em segundo lugar relativamente ao consumo de unidades de álcool diárias em todas as idades, para o sexo masculino, com 7,3 bebidas diárias.
 
Emmanuela Gakidou explicou que os oficiais de saúde dos respetivos países poderão usar esta informação na elaboração de programas e diretrizes destinados a promover a saúde e o bem-estar populacional. 
 
“Há uma necessidade premente e urgente para reformular as diretrizes para encorajar ou a redução do consumo dos níveis de álcool das pessoas ou absterem-se totalmente”, disse a especialista. “O mito de uma ou duas bebidas por dia serem saudáveis para a saúde é apenas isto – um mito. Este estudo destrói esse mito”, concluiu. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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