QI varia ao longo da adolescência

Estudo publicado na “Nature”

24 outubro 2011
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Apesar de se pensar, até à data, que as capacidades intelectuais eram constantes ao longo da vida, um estudo publicado recentemente na revista “Nature” mostra, pela primeira vez, que o quociente de inteligência (QI) sofre uma variação ao longo da adolescência.
 

Para este estudo os investigadores do Wellcome Trust Centre for Neuroimaging, da University College London, Reino Unido, avaliaram, em 2004, o QI de cerca de 33 adolescentes saudáveis, altura em que estes tinham entre 12 e 16 anos. Os testes foram repetidos quatro anos mais tarde. Nas duas ocasiões, a estrutura cerebral dos participantes foi também avaliada através da realização de ressonâncias magnéticas.
 

Os investigadores, liderados por Cathy Price, verificaram que em 2008 havia alterações significativas nas pontuações dos testes de QI dos adolescentes, em comparação com aqueles alcançados em 2004. Alguns participantes apresentaram uma melhoria de cerca 20 pontos nos testes. Contudo, outros adolescentes apresentaram uma diminuição em proporções semelhantes.  
 

Para chegarem a esta conclusão os investigadores calcularam o QI verbal de cada indivíduo, que incluía medições da linguagem, aritmética, conhecimento geral e memória. A avaliação da sua inteligência não-verbal foi também realizada através da identificação de elementos que estavam em falta numa imagem ou resolução de puzzles.
 

De forma a verificar se havia uma correlação entre estas alterações e a estrutura dos cérebros dos participantes, os investigadores analisaram os resultados das ressonâncias magnéticas tendo constatado que, de facto, havia uma correlação clara. Um aumento do QI verbal estava correlacionado com um aumento da densidade da massa cinzenta na área do córtex motor do hemisfério esquerdo do cérebro, que é activada com a linguagem articulada. De forma semelhante, uma maior capacidade não verbal estava relacionada com um aumento da densidade da massa cinzenta na parte anterior do cerebelo, que está associado ao movimento das mãos.
 

De acordo com Cathy Price, ainda não está claro porque é que o QI sofre estas alterações e porque que é que alguns participantes tiverem uma alteração de desempenho nos testes de avaliação. Na sua opinião, é possível que estas diferenças possam estar relacionadas com uma capacidade tardia ou precoce da aprendizagem. Mas também é possível que a educação desempenhe um papel importante nestas alterações.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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