Publicações e congressos: Algumas descobertas anunciadas pecam por exagero e omissão
04 junho 2002
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Os resultados médicos apresentados nos congressos são muitas vezes prematuros e alguns anúncios de descobertas podem ser exagerados, divulgando apenas a opinião de uma parte dos investigadores envolvidos.
 

 

A constatação é de um conjunto de médicos e especialistas que criticam desta forma os métodos de comunicação científica.
 

 

A publicação da Associação Médica norte-americana (JAMA - Journal of the American Medical Association) dedica a edição de hoje ao exame das condições em que são comunicados trabalhos de investigação, traçando um quadro pouco lisonjeiro sobre os métodos adoptados por alguns investigadores e serviços de imprensa das grandes revistas científicas para publicarem resultados rapidamente.
 

 

Alguns comunicados médicos "têm uma apresentação que pode exagerar a importância dos resultados, ocultando sistematicamente as limitações do estudo", segundo Steven Woloshin e Lisa Schwartz, do Centro Médico de White River Junction, Vermont.
 

 

Os dois especialistas analisaram 127 comunicados que acompanharam estudos publicados nas revistas norte-americanas Annals of Internal Medicine, Circulation, JAMA, Journal of the National Cancer Institute, Pediatrics, New England Journal of Medicine, Annals of Surgery e as revistas britânicas Lancet e British Medical Journal.
 

 

Informações exageradas
 

 

Os comunicados podem influenciar a forma como a investigação é transformada em informação. Os comunicados que estudámos apresentavam os dados de forma exagerada e não revelavam os limites do estudos ou os conflitos de interesses", explicaram Woloshin e Schwartz.
 

 

Outros dois especialistas que apreciaram 359 artigos sobre novos tratamentos publicados em grandes revistas médicas entre 1989 e 1998 afirmaram que os textos reproduziram apenas as estatísticas mais favoráveis para descrever os resultados obtidos.
 

 

Segundo Jim Nuovo, da faculdade de medicina da Universidade da Califórnia, Sacramento, "um número isolado não pode explicar inteiramente o resultado de um ensaio".
 

 

Este perito defende que é do interesse dos médicos e dos seus pacientes exigir a publicação completa das vantagens e potenciais riscos dos novos tratamentos.
 

 

Falta de provas
 

 

Por outro lado, os estudos publicados "raramente apresentam todas as opiniões dos cientistas cujos trabalhos são citados", segundo Richard Horton, editor da revista Lancet.
 

 

"Os autores estão muitas vezes em desacordo sobre a importância dos resultados que obtêm, implicações e direcções a dar a investigações futuras. A diversidade de opiniões dos autores é frequentemente excluída do que se publica e já encontrei provas de críticas censuradas", acrescentou Horton, que investigou dez trabalhos publicados na Lancet durante o ano 2000.
 

 

A imprensa também não é poupada às críticas dos peritos, que a acusam de revelar trabalhos científicos "em muito grande quantidade e muito prematuramente".
 

 

Schwartz examinou, juntamente com os seus colegas, 252 artigos de imprensa sobre 147 apresentações científicas feitas durante congressos médicos.
 

 

"Três anos e meio após os congressos, apenas 50 por cento das 147 apresentações foram objecto de publicação nas grandes revistas científicas, 25 por cento em revistas secundárias e 25 por cento continuam por publicar", sublinha a investigadora encorajando os jornalistas a sublinhar o carácter preliminar dos trabalhos que revelam.
 

 

Fonte: Lusa
 

 

 

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