Psoríase: por que motivo a pele fica com manchas castanhas?

Estudo publicado no “Journal of Investigative Dermatology”

19 fevereiro 2014
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Investigadores americanos identificaram as alterações moleculares associadas à descoloração da pele que está muitas vezes presente na psoríase. Os achados publicados no “Journal of Investigative Dermatology” sugerem novos tratamentos para as alterações de pigmentação envolvidas não apenas na psoríase, mas também noutras condições como a acne e eczema.
 

As citoquinas são proteínas que medeiam a sinalização entre as células do sistema imunitário ajudando, nomeadamente, o organismo a combater as infeções. No entanto, duas citoquinas a interleuquina 17 (IL-17) e o fator de necrose tumoral (TNF) encontram-se expressas em níveis anormalmente elevados nos pacientes com psoríase, levando o sistema imune a atacar as próprias células da pele.
 

Estas duas citoquinas são conhecidas por estarem envolvidas nas erupções cutâneas que são características da psoríase. Neste estudo, os investigadores da Universidade de Rockefeller, nos EUA, decidiram avaliar se estas duas citoquinas estavam também associadas às manchas escuras deixadas pela psoríase.
 

Os investigadores constataram que a IL-17 e o TNF suprimiam a produção de melanina, pigmentos de dão cor à pele, pelos melanócitos. Foi também verificado que as células da pele dos pacientes com psoríase apresentavam uma diminuição na expressão de genes envolvidos na sinalização da pigmentação, o que estava correlacionado com níveis elevados das citoquinas.
 

O estudo apurou que as duas citoquinas também promoviam a formação de aglomerados de melanócitos e estimulavam a produção de citoquinas promotoras de crescimento. Foi observado que as lesões psoriáticas que continham níveis elevados de IL-17 e o TNF também tinham, comparativamente com a pele saudável, mais melanócitos.
 

“Este achado foi bastante surpreendente. Acreditava-se que os melanócitos apenas se replicavam nos estádios iniciais dos tumores melanocíticos, incluindo nos melanomas. No caso da psoríase, os níveis duplicaram e por vezes triplicaram, mas estas células da pele não eram cancerígenas. Estes resultados demonstraram, contrariamente ao que alguns cientistas acreditavam, que estas células não estão dormentes”, revelou, em comunicado de imprensa, a primeira autora do estudo, Claire Q F Wang.
 

“Durante uma crise psoriática, pode haver partes da pele com hipopigmentação, manchas brancas. Quando desaparece, as manchas tornam-se escuras. Acreditamos que o aumento de IL-17 e TNF induza a acumulação de melanócitos, mas impede que estes expressem a melanina até que a inflamação esteja controlada. Posteriormente a acumulação dos melanócitos desparece e a pele apresenta hiperpigmentação – manchas escuras”, explicou a investigadora.
 

Os autores do estudo concluíram que o facto de se saber que as citoquinas podem alterar a produção de melanina e que a inflamação crónica tem o potencial de aumentar o número de melanócitos, tem claras implicações no desenvolvimento de terapias para tratar várias doenças da pele.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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