Psoríase: mais de metade dos pacientes acompanhados no privado

Estudo “Pessoa – viver com psoríase”

26 outubro 2016
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Mais de metade dos doentes com psoríase são seguidos no setor privado por falta de resposta do Serviço Nacional de Saúde, apesar de a referenciação feita pelo médico de família ser a adequada, de acordo com o estudo “Pessoa – viver com psoríase”. 
 
Desenvolvido pela Faculdade de Farmácia de Lisboa e a Associação de doentes de psoríase, este é o maior estudo epidemiológico realizado sobre a doença, tendo em conta a dimensão da amostra (cerca de 600 doentes), a abrangência geográfica (continente e ilhas) e a abrangência dos domínios estudados – caracterização dos doentes, acesso aos cuidados de saúde, qualidade de vida dos doentes e aspetos terapêuticos.
 
Sofia Oliveira Martins, coordenadora do estudo, referiu à agência Lusa que esta investigação surgiu da necessidade de se ter uma “fotografia desta população”, uma vez que havia muitos dados parciais sobre doentes de psoríase, mas não havia ainda dados globais.
 
Entre as principais conclusões do estudo, a que Sofia Oliveira Martins mais destaca pela sua gravidade é a de que, apesar de haver uma boa referenciação para diagnóstico – os doentes com facilidade tiveram acesso ao dermatologista para fazer diagnóstico – e depois para serem seguidos, mais de 50% da amostra é seguida no setor privado.
 
De acordo com os dados do estudo, 51,9% são seguidos no privado, 27,4% nos hospitais públicos e 20,8% nos centros de saúde.
 
Uma das razões invocadas pelos doentes para isto acontecer é que o SNS não dá resposta no que diz respeito ao seguimento dos casos de psoríase. “Em termos de custos para o doente isto é extremamente gravoso”, até porque os medicamentos usados no público são diferentes do privado.
 
“Alguns medicamentos são só de uso hospitalar ao nível do SNS, porque são tão caros, o doente do privado não tem acesso”, afirmou.
 
Trata-se de medicamentos mais inovadores e que abordam a doença na sua globalidade, ao contrário dos que são usados pela maioria da população inquirida e que são os aplicados na pele.
 
Em termos de impacto financeiro, cerca de 34% referem que gastam mais de 50 euros por consulta e quase 70% gastam pelo menos 43 euros por mês em medicamentos.
 
O impacto na qualidade de vida dos doentes é outro dos aspetos dominantes, sobretudo na componente dor e mau estar e ansiedade e depressão.
 
Com este estudo, a investigadora pretende influenciar os decisores políticos no sentido de tentar mudar o acesso aos cuidados de saúde do SNS, alertando que se trata de uma doença crónica que não tem cura, sendo pois “fundamental que os doentes possam ter acesso a este sistema para que possam ser tratados”.
 
O segundo passo a ser dado é o de sensibilizar os doentes e a população em geral que “a psoríase não é uma doença de pele, é uma doença sistémica que tem que ser tratada como tal, uma doença do organismo todo, do sistema imune, autoimune, e que tem que ser tratada como um todo e não apenas como dermatológica”.
 
Na opinião de Sofia Oliveira Martins é importante também sensibilizar a própria comunidade clínica, não os dermatologistas que o sabem, mas os médicos de medicina geral e familiar, no sentido, por exemplo, das comorbilidades, em que “cerca de 30% da população tem depressão, outro tanto hipertensão, artrite psoriática”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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