Psoríase condiciona qualidade de vida dos doentes

Dificuldades em dormir, problemas sexuais e suicídio são algumas das consequências da doença

03 dezembro 2002
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Um em cada quatro doentes que sofrem de psoríase considera a sua qualidade de vida seriamente afectada. Esta é uma das conclusões do maior inquérito sobre qualidade de vida dos doentes com psoríase, recentemente divulgadas em Praga, no Congresso da Academia Europeia de Dermatologia e Venerologia.
 

 

O inquérito foi realizado pela Federação Europeia de Associações de Doentes com Psoríase (EUROPSO) e envolveu cerca de 18 mil doentes em sete países europeus. Dos resultados apresentados pode-se concluir que a psoríase, uma das patologias dermatológicas mais frequentes que afecta cerca de 80 milhões de pessoas em todo o mundo (2%), é uma doença dolorosa, séria e debilitante.
 

 

Além dos sintomas dermatológicos, 92% dos doentes inquiridos reportam descamação da pele, 72% falam em irritação cutânea, 23% mencionam a existência de inchaços e 20% queixam-se de ardor e sangramento. A artrite psoriática foi diagnosticada em 30% dos doentes.
 

 

Apesar da existência de mais de doze medicamentos de prescrição para a psoríase, este inquérito revela que muitos doentes consideram a sua qualidade de vida diminuída e que se sentem frustrados com a ineficácia dos tratamentos existentes.
 

 

O inquérito, orientado para avaliar a forma como os indivíduos com psoríase encaram a sua doença, indica ainda que aqueles que têm psoríase moderada ou severa apresentam os problemas mais sérios:
 

- 34% afirmam ter sofrido perturbações do sono devido à psoríase
 

- 27% relatam experiências de dificuldades sexuais motivadas pela doença
 

- 56% alteraram de forma significativa o seu vestuário
 

- 27% apontam a psoríase como causa para alterarem as suas actividades diárias, evitando, por exemplo, participar em actividades promovidas no local de trabalho.
 

 

A psoríase é uma doença crónica na qual os doentes apresentam sintomas de intensidade variável ao longo de toda a vida. Cerca de 40% dos doentes inquiridos pela EUROPSO desenvolveram a doença psoriática aos 20 anos de idade, vivendo este drama durante anos a fio.
 

 

Para Trine Knudtzon, que sofre de psoríase desde os 15 anos, «esta doença pode dominar as nossas vidas, se nós o permitirmos. Eu desenvolvi psoríase e depois artrite psoriática e tive que desistir do meu emprego com pouco mais de 30 anos porque já não aguentava. Os tratamentos actuais não ajudam muito na resolução do problema. Os doentes necessitam de novas opções terapêuticas que podem contribuir para ultrapassar os efeitos da psoríase e que afectam toda a nossa vida.»
 

 

Também Mara Maccarone, uma doente italiana que partilhou a sua experiência com os presentes em Praga, confirma o peso que a doença tem na sua vida. «Sentimos que não temos alternativa, porque temos de recorrer constantemente aos tratamentos para minorar os efeitos da psoríase. Nestas condições, é extremamente difícil levar uma vida que possamos considerar normal.»
 

 

O inquérito confirmou que, na tentativa de reduzir o impacto da psoríase, os indivíduos afectados por esta doença experimentam uma grande variedade de tratamentos que incluem tanto produtos de prescrição médica como produtos de venda livre, além de terapias alternativas (acupunctura, produtos naturais e controle dietético).
 

 

Ao comentar os resultados deste trabalho, Seppo Heikki Salonen, Presidente da EUROPSO, afirmou «a psoríase continua a ser vista como um problema cosmético de menor dimensão. Esperamos que através dos resultados deste inquérito possamos contribuir para um maior esclarecimento sobre o impacto da doença na vida dos indivíduos afectados e dos seus familiares e, em última análise, para o desenvolvimento de melhores tratamentos.»
 

 

Para Peter Van de Kerkhof, «O inquérito da EUROPSO demonstrou que, apesar de 77% dos doentes já tenham experimentados tratamentos prescritos pelos médicos, apenas 40% continua a usá-los, o que é revelador da sua insatisfação com as terapêuticas actuais. Existe realmente uma necessidade de mais opções terapêuticas para as pessoas que, em todo o mundo, sofrem desta doença debilitante.»
 

 

MNI-Médicos Na Internet
 

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