Psoríase aumenta perda óssea

Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”

21 março 2016
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Investigadores espanhóis constataram que os pacientes com psoríase apresentam uma perda óssea generalizada resultante da doença, dá conta um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.
 

No estudo, os investigadores do Centro de Investigação Nacional do Cancro, em Espanha, descrevem a comunicação molecular que é estabelecida entre a pele inflamada e a perda de massa óssea. Esta descoberta levanta a possibilidade de tratar a psoríase com fármacos que já se encontram atualmente no mercado ou que estão em fase de ensaios clínicos avançados.
 

A psoríase é uma doença autoimune crónica que afeta 2% da população mundial. Esta condição é caracterizada por inflamação e descamação da pele. Os indivíduos afetados por esta doença apresentam um maior risco de desenvolverem alguns tipos de síndrome metabólica, doenças cardiovasculares ou maior predisposição para determinadas patologias, como obesidade e diabetes.
 

Neste estudo, os investigadores verificaram que a psoríase provoca uma perda generalizada e progressiva do tecido ósseo. “Não há destruição ativa do osso. Pelo contrário, durante o ciclo de regeneração do osso, este não é formado à velocidade necessária para substituir o que está a ser perdido e, desta forma, a massa óssea dos pacientes reduz ao longo do tempo”, revelou, em comunicado de imprensa, o primeiro autor do estudo, Özge Uluçkan
 

O processo ocorre através de um mecanismo que inibe a atividade dos osteoblastos, as células que produzem a matriz óssea, para que os ossos possam crescer durante a infância e juventude e permaneçam saudáveis na idade adulta.
 

Num estudo anterior, os investigadores já tinham criado um modelo de ratinho, onde tinham removido o gene JunB nos queratinócitos (células que formam a epiderme), mimetizando o que acontece durante distúrbios inflamatórios cutâneos nos humanos. Agora, foi observado que estes animais tinham perda da massa óssea.
 

Os investigadores constataram que as células do sistema imunitário da pele deste modelo animal produziam grandes quantidades da citoquina IL-17, uma proteína do sistema imunitário que ativa a inflamação celular em resposta aos danos. A IL-17 viaja através da corrente sanguínea para os ossos.
 

Nos ossos a proteína atua nos osteoblastos e inibe a atividade da Wnt, uma via de sinalização celular que está envolvida na formação do esqueleto e em determinadas condições, como osteoporose, artrite e mieloma. Verificou-se que o tratamento destes ratinhos com inibidores da IL-17 permitiu que a via Wnt recuperasse a sua atividade normal, tendo conduzido à formação óssea.
 

Um segundo modelo animal, no qual tinha isso induzida uma expressão exagerada da IL-17, também apresentou perda óssea. Estes resultados sugerem que a desregulação da proteína é suficiente para causar este efeito.
 

A análise de centenas de amostras humanas, através de tomografia computadorizada periférica de elevada resolução, demonstrou que os pacientes com psoríase tinham perda óssea, comparativamente com os indivíduos saudáveis. Esta perda estava associada a aumento dos níveis da IL-17A no sangue.
 

Estes achados sugerem que os pacientes com psoríase devem ser monitorizados para esta perda de massa óssea, ou para a presença de níveis elevados destes fatores no sangue.
 

"Tratar pacientes com psoríase com inibidores da IL-17 pode ter um efeito benéfico na perda de tecido ósseo, ao contrário de outros compostos que só podem tratar a inflamação da pele”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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