Psiquiatras discutem a origem da esquizofrenia
04 julho 2001
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Investigações genéticas relacionadas com o funcionamento do cérebro apontam para desenvolvimentos no tratamento da esquizofrenia, uma doença incurável e um dos principais temas do Congresso Mundial de Psiquiatria biológica, a decorrer em Berlim.
 

 

 

O prémio Nobel de Medicina do ano 2000, Ariel Carlsson, explicou quarta-feira que as novas técnicas que permitem observar o cérebro em pleno funcionamento ou estudar a função dos genes podem trazer informação de grande interesse sobre esta doença.
 

 

Os psiquiatras biológicos, que procuram a origem das doenças em alterações físicas, rejeitam a hipótese da esquizofrenia ter uma origem sociogénica, ou seja, que se produza pelo ambiente que rodeia o doente, considerando que a sua causa é biológica.
 

 

Carlsson indicou que foram descobertos desequilíbrios na função dos neurotransmissores - as células nervosas responsáveis pela comunicação no cérebro - dos esquizofrénicos, o que supõe um avanço na investigação da origem da doença que vai permitir desenvolver medicamentos mais eficientes.
 

 

As novas técnicas tomográficas permitiram estudar o cérebro dos doentes e comprovar que existem diferenças relativamente a uma pessoa sã.
 

 

Assim, os ventrículos têm um tamanho maior que o habitual, ainda que outras áreas do cérebro, responsáveis pelas emoções, a memória ou a capacidade de aprendizagem, sejam mais reduzidas, não podendo cumprir a sua função com normalidade.
 

 

Detectar a origem desta psicose é fundamental para atenuar os seus efeitos, explicou Heinz Haefner, do Instituto de Saúde Mental de Manheim.
 

 

A esquizofrenia não tem cura e, segundo as estatísticas, apenas 20 por cento dos afectados sofrem um único episódio isolado da doença, explicou o presidente da sociedade alemã de psiquiatria biológica, Wolfgang Gaebel.
 

 

Na maioria dos casos os pacientes necessitam de medicação e tratamento permanente para travar as fases agudas da doença, que se manifesta através de alucinações, medos ou visões distorcidas da realidade.
 

 

 

Apesar da investigação sobre a esquizofrenia se encontrar numa fase inicial, os doentes já podem beneficiar de uma nova geração de medicamentos que eliminam graves efeitos secundários, como problemas de movimento.
 

 

Gaebel quis desmistificar a doença e explicou que os esquizofrénicos não são mais violentos que as pessoas sãs, desde que não consumam drogas e estejam sob tratamento.
 

 

Lusa
 

 

 

 

 

 

 

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