Psiquiatras alertam para um potencial risco de desastre clínico e social

Declarações da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental

23 maio 2012
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A escassa aplicação do plano nacional de saúde mental foi criticada pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria a qual também alertou para a urgência de “tirar do papel” e aplicar o modelo de intervenção comunitária, para evitar “um desastre clínico e social”.

 

O presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), António Palha, mostrou-se preocupado com a escassa aplicação prática das medidas previstas no Plano Nacional de Saúde Mental 2007-2016, “quando este já vai a mais de metade”, e defendeu a necessidade de ser feita uma avaliação urgente da sua execução.

 

Na sequência de uma reunião, no domingo, os membros da SPPSM “refletiram sobre o plano” e chegaram àquelas conclusões, dando particular ênfase à falta de uma rede de cuidados continuados para os doentes mentais crónicos.

 

Com o fecho dos hospitais, são precisas respostas comunitárias, mas as respostas tardam. Neste momento de crise é preciso uma estratégia”, revelou António Palha à agência Lusa.

 

De acordo com o responsável, estes doentes necessitam de estruturas e locais adequados ao seu tratamento, e estão a ser enviados para casas sociais sem o devido acompanhamento médico, psicológico e de reabilitação.

 

“Já devíamos ter mais política de saúde mental na comunidade. Está mais no papel do que na prática. As leis são para cumprir. Temos a bandeira de um dos melhores países nos cuidados comunitários, mas a verdade não é essa. É preciso criar condições para o modelo funcionar, senão haverá um desastre social e clínico”, afirmou.

 

Este desastre, a que o presidente da SPPSM alude, está relacionado com a crise económica e social que o país atravessa, criadora de “novas realidades”, que necessitam de novas respostas, ou seja, de um novo plano de saúde mental que substitua o atual, já “desadequado”.

 

“Há preocupações novas, é preciso fazer uma redistribuição das áreas e avaliar as prioridades, pois se os meios já eram escassos antes da crise, agora como vai ser?”.

 

António Palha sublinha que, nos períodos de pobreza e miséria, há um aumento de prevalência das doenças mentais e físicas, e lembra que a saúde mental e física estão muito ligadas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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