Prozac e anti-depressivos podem estimular tumores cerebrais
27 março 2002
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O Prozac, medicamento anti-depressivo tomado por milhões de pessoas em todo o mundo, poderá estimular o crescimento dos tumores cerebrais, segundo um estudo científico divulgado em Londres.
 

 

Sem chegar a afirmar que esta droga é perigosa, um grupo internacional de investigadores descobriu que o Prozac pode anular a capacidade natural do corpo humano para combater as células cancerosas.
 

 

O estudo, publicado hoje pelo diário londrino "The Independent", vai ser publicado na próxima semana na revista científica norte-americana "Blood".
 

 

Os especialistas, dirigidos pelo professor de imunologia John Gordon, da Universidade inglesa de Birmingahn, examinaram os efeitos do Prozac e de outros anti-depressivos sobre uma série de células cancerosas contidas num tubo de ensaio.
 

 

O resultado foi que as drogas dificultaram a faculdade que têm essas células de eliminar-se de uma forma natural (uma espécie de um suicídio celular), o que pode facilitar o crescimento de tumores.
 

 

Em declarações publicadas no "The Independent", o professor Gordon sublinhou que o seu estudo não é uma prova categórica de que o Prozac favoreça o crescimento de tumores, embora admita que isso possa acontecer.
 

 

O especialista, que afirma ser prematuro considerar que o Prozac é prejudicial, destacou o papel da serotonina, uma substância química natural que regula e equilibra o estado de ânimo das pessoas: demasiada afecta o sono e o apetite, enquanto pouca pode causar depressão.
 

 

"Acontece que a serotonina tem uma propriedade muito interessante: pode indicar a determinadas células cancerosas que se auto-destruam", acrescentou.
 

 

O que os especialistas descobriram é que os anti-depressivos previnem a absorção da serotonina nas células investigadas no tubo de ensaio. Ou seja, estes medicamentos não deixam que a serotonina entre e instrua as células doentes a auto-eliminarem-se.
 

 

Os investigadores questionam-se agora se estes medicamentos podem produzir um efeito semelhante nas células do cérebro de quem os toma.
 

 

"Temos de sublinhar que os efeitos estudados são indirectos e não devem causar preocupação aos milhões de pessoas em todo o mundo a quem foram receitados anti-depressivos", sublinhou Gordon.
 

 

O investigador disse, contudo, que esta descoberta deve fazer com que se estudem, a longo prazo, os possíveis efeitos secundários do Prozac e fármacos semelhantes.
 

 

O Prozac, medicamento autorizado nos Estados Unidos em 1987, converteu-se rapidamente na "pílula da felicidade" porque permite tratar as pessoas com tendência para a depressão, obsessões ou bulimia de tipo nervoso.
 

 

Fonte: Lusa

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