Protetores solares: medo tem mais peso que dados estatísticos

Estudo publicado no “Journal of Behavioral Medicine”

04 julho 2014
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O medo e a preocupação sobre o cancro da pele têm uma maior influência na utilização dos protetores solares, do que os dados estatísticos sobre o desenvolvimento da doença, dá conta um estudo publicado no “Journal of Behavioral Medicine”.
 

De acordo com um dos investigadores da Universidade de Buffalo, nos EUA, Marc Kiviniemi, a maioria dos estudos comportamentais de saúde não têm em conta as reações emocionais que levam as pessoas a ter comportamentos de risco, como a ingestão de fast-food ou o facto de ignorarem os benefícios da utilização de um protetor solar.
 

Foi neste contexto que os investigadores decidiram analisar os dados de um estudo conduzido pelo Instituto Nacional do Cancro, nos EUA, o qual contou a com participação de 1.500 indivíduos sem antecedentes de cancro da pele. Todos os participantes foram questionados relativamente à utilização de protetor solar, tendo sido ainda indagada a sua perceção do risco ou preocupação relativamente ao possível desenvolvimento de cancro da pele.
 

O estudo apurou que a frequência de utilização do protetor solar variava bastante, 32% dos participantes nunca utilizavam e 14% colocavam-no sempre. O nível de educação foi positivamente associado a uma maior da utilização de protetor solar.
 

Após terem analisado a ligação das emoções e os factos na tomada de decisão, os investigadores verificaram que quanto maior era o medo e preocupação relativamente ao desenvolvimento de cancro, maior era a utilização de protetor solar.
 

Os investigadores referem que os comportamentos de saúde são afetados tanto pelo risco afetivo, ou seja, o medo e a preocupação relativamente a um tópico de saúde, neste caso o cancro da pele, e o risco cognitivo. Contudo, estes dois tipos de riscos são muitas vezes analisados separadamente ou colocados como uma influência irracional contra a racional de uma questão.
 

Marc Kiviniemi refere que estes resultados mostram que os médicos deverão focar-se mais nos sentimentos quando estão a tentar encorajar alguém a utilizar protetor solar. Para além de fornecerem dados relativamente ao risco de desenvolvimento da doença, o facto de encorajarem as pessoas a pensar no que sentem sobre o cancro e qual é o seu nível de preocupação sobre o assunto pode conduzir à adoção de comportamentos preventivos.
 

Por outro lado, estes resultados podem também ajudar os meios de comunicação social a transmitir a informação de uma forma mais adequada, ou seja, tendo por alvo as emoções do público-alvo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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