Proteínas envolvidas na imunidade causam cancro

Estudo publicado na revista “Nature Genetics”

17 julho 2013
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Investigadores americanos constataram que um grupo de proteínas que estão envolvidas na defesa natural do organismo produz também um grande número de mutações no ADN. O estudo publicado na revista “Nature Genetics” sugere que estas mutações produzidas são tão potentes quanto os agentes causadores do cancro na produção de tumores.
 

Os investigadores do National Institute of Environmental Health Sciences, nos EUA, descobriram que as mutações causadas por este conjunto de proteínas, conhecido por APOBEC, podem ultrapassar, em termos numéricos, todas as outras mutações, representando mais de dois terços de alguns tumores da bexiga, mama, cabeça e pescoço.
 

De acordo com o líder do estudo Dmitry Gordenin, os investigadores já tinham conhecimento que estas proteínas estavam envolvidas na inativação dos vírus que atacam o organismo e também impedem que os vírus presentes no genoma humano se movam e causem mutações. Uma vez que estas proteínas são tão importantes na fisiologia normal, foi uma surpresa para os investigadores terem descoberto este lado “mais obscuro” das APOBEC, a mutação do ADN cromossómico humano.
 

Este estudo é a continuação de outro, publicado na revista “Cell” em 2012, o qual demonstrou que as APOBEC poderiam produzir grupos de mutações em alguns tipos de cancro. Neste trabalho foram analisados sinais das mutações provocadas pelas APOBEC em cancros listados no Atlas do Genoma do Cancro.
 

Os investigadores analisaram um milhão de mutações provenientes de 2.680 amostras de cancro tendo descoberto que cerca de 70% das mutações eram resultantes das mutações provocadas pelas proteínas em causa. O padrão de mutação, que apareceu em grupo ou mutações individuais, poderiam afetar muitos genes associados ao cancro.
 

O primeiro autor do estudo, Steven Roberts, acredita que, uma vez que as APOBEC são reguladas pelo sistema imunitário, que é sensível a vários fatores ambientais, poderá haver um componente ambiental significativo nas mutações provocadas por este grupo de proteínas. “Esperamos que a determinação dos fatores ambientais associados a estas mutações possam conduzir a estratégias viáveis de prevenção do cancro”, conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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