Proteína regula metabolismo da glicose e desenvolvimento tumoral

Estudo publicado na revista “Cell”

13 dezembro 2012
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Uma proteína conhecida por regular a forma como as células processam a glicose também parece funcionar como supressor tumoral, sugere um estudo publicado na revista “Cell”.
 

Em 1920, o investigador alemão Otto Warburg, já tinha proposto que a forma como as células processam a glicose poderia desencadear a formação de tumores. Ele observou que, enquanto o metabolismo da glicose envolve habitualmente duas etapas: a glicólise no citopaslma celular, seguida pela respiração celular nas mitocôndrias, nas células tumorais a taxa de glicólise é 200 vezes maior. Contudo, esta hipótese levantada por Otto Warburg especulava que era a alteração no processamento da glicose a causa primária do desenvolvimento tumoral não foi confirmada por estudos posteriores.
 

Noventa anos mais tarde, em 2010, Raul Mostoslavsky descobriu que a enzima SIRT6 alterava o metabolismo da glicose, parecendo ser responsável pelas taxas excessivamente elevadas de glicólise nas células tumorais.
 

Neste estudo, a mesma equipa de investigação do Massachusetts General Hospital, nos EUA, propôs-se a investigar se esta enzima, envolvida no controlo dos níveis de metabolismo da glicose, era também capaz de impedir a formação de tumores. O estudo apurou que as células de pele de ratinho que não expressavam a SIRT6 proliferavam mais rapidamente e conduziam ao aparecimento tumores quando injetadas em ratinhos adultos. Foi também verificado que as células tumorais e as que não expressavam a enzima SIRT6 apresentavam elevados níveis de glicólise.
 

Os investigadores também constataram que a expressão de SIRT6 estava reduzida em várias amostras de tecido tumoral, particularmente em amostras provenientes de pacientes com cancro do pâncreas e colo-retal. Mesmo em tumores mais agressivos, a expressão aumentada da enzima poderia atrasar ou, em alguns casos, impedir uma recaída.

 

Num modelo animal criado para desenvolver múltiplos pólipos no cólon, os investigadores verificaram que a ausência da SIRT6 triplicava a formação de pólipos, muitos dos quais se tornaram tumores invasivos. O tratamento com um inibidor glicolítico reduziu significativamente a formação dos tumores, mesmo na ausência da SIRT6.
 

"Os nossos resultados indicam que, pelo menos em certos tipos de cancro, a inibição do metabolismo glicolítico pode ser uma forma alternativa de deter o crescimento do cancro, possivelmente atuando em sinergia com as atuais terapias anti-tumorais", revelou, em comunicado de imprensa, Raul Mostoslavsky.
 

“O metabolismo do cancro só recentemente emergiu como um marco de tumorigénese. Ao ritmo com que a investigação atualmente se desenvolve é provável que os fármacos que tenham por alvo o metabolismo do cancro estejam disponíveis num futuro próximo para os pacientes", conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.  
 

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