Proteína poderá estimular regeneração hepática

Investigação publicada no “Oncotarget”

06 abril 2015
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Investigadores norte-americanos atentaram numa diferença entre ratos e humanos – a capacidade de regeneração do fígado – e podem ter descoberto uma forma de facilitar a regeneração hepática e, talvez, a reparação de tecidos.
 
De acordo com a investigação levada a cabo por cientistas da Universidade da Califórnia, em Davis, EUA, a diferença em termos de regeneração do fígado entre ratos e humanos está essencialmente relacionada com uma proteína denominada PPARα, que ativa a regeneração hepática.
 
Normalmente a PPARα dos ratos encontra-se mais ativa e é mais eficiente do que a dos humanos, o que permite que os ratos regenerem o fígado mais fácil e rapidamente. 
 
Contudo, esta investigação demonstrou que a proteína fator de crescimento de fibroblastos 21 (FGF21) pode estimular os efeitos regenerativos da PPARα em humanos.
 
“Os nossos dados sugerem que a FGF21 pode ajudar à regeneração do fígado, tanto após a remoção como após danos provocados por álcool ou vírus”, refere uma das autoras, Yu-Jui Yvonne Wan.
 
Neste estudo, a PPARα de humanos e ratos revelou diferentes capacidades em termos de regeneração do fígado após cirurgia. Mesmo depois de terem sido removidos dois terços do fígado, os ratinhos normais usados na experiência foram capazes de readquirir a massa original do fígado num espaço de sete a dez dias. Por outro lado, os ratinhos com PPARα humana não conseguiram reparar por completo o fígado, mesmo após três meses. Contudo, o aumento de FGF21 resultou num aumento da capacidade de regeneração do fígado nos ratinhos com PPARα humana.
 
Embora a PPARα de ratinhos apresente vantagens regeneradoras em relação à versão humana, esta capacidade regenerativa pode conduzir ao aparecimento de cancro. A PPARα humana, por seu lado, não provoca cancro, mas não tem as capacidades regenerativas identificadas na versão dos ratinhos. 
 
Ainda assim, nos contextos certos, uma PPARα humana mais ativa poderia resultar num grande benefício para doentes hepáticos e a utilização da FGF21 para impulsionar esta capacidade regeneradora pode ser um passo importante nessa direção.
 
Além do impacto regenerador da FGF21 no fígado, esta proteína demonstrou possuir a capacidade de reduzir a resistência à insulina, acelerar o metabolismo da gordura e reduzir a doença do fígado gordo em modelos animais.
 
“A FGF21 é uma molécula fundamental para regular o metabolismo no fígado”, esclarece Wan. “Há estudos que demonstram que os ratinhos que expressam a FGF21 em grande quantidade vivem 50% mais tempo. Agora demonstrámos que esta proteína pode resgatar a PPAR humana, permitindo-a regenerar por completo fígados danificados em ratinhos. Isto pode resultar em benefícios terapêuticos significativos para as pessoas após transplantes ou outras lesões hepáticas”, acrescentou.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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