Proteína pode ajudar a melhorar tratamentos contra abortos e pré-eclampsia

Estudo publicado na revista “Human Reproduction”

17 maio 2016
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Investigadores do Reino Unido identificaram uma proteína envolvida no desenvolvimento da placenta humana que também pode ajudar a implantar os embriões no útero. Este achado, publicado na revista “Human Reproduction”, pode melhorar os tratamentos de abortos recorrentes e da pré-eclampsia.
 

O estudo realizado pelos investigadores da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, demonstrou que uma proteína denominada sincitina-1 começa a ser secretada na superfície do embrião em desenvolvimento mesmo antes de este se implantar no útero. Isto significa que é provável que a proteína ajude os embriões a aderirem ao útero, assim como na formação da placenta.
 

Na opinião dos autores do estudo, é fundamental compreender as etapas iniciais do desenvolvimento embrionário humano de forma a melhorar os atuais tratamentos para uma variedade de complicações que surgem durante a gravidez, como abortos recorrentes, síndrome da restrição do crescimento fetal e pré-eclampsia, uma condição caracterizada pelo aumento da pressão arterial durante a gravidez.
 

Harry Moore, o líder do estudo, referiu que, com base nestes resultados, talvez seja possível desenvolver um teste para identificação das gravidezes de risco, bem como desenvolver terapias apropriadas.
 

“Atualmente existem muitas notícias sofre a infeção pelo vírus Zika e o seu efeito devastador no desenvolvimento fetal, mas nem todas a infeções virias são desastrosas. Surpreendentemente, o gene sincitina-1 é resultante de uma infeção viral dos nossos ancestrais primatas de há 25 milhões de anos. O ADN do vírus integrou-se no genoma dos nossos antepassados e foi transmitido de geração em geração (…). Sem a proteína, os seres humanos não tinham evoluído”, revelou, em comunicado de imprensa, o investigador.
 

Os cientistas estão a planear investigar se o nível de secreção da sincitina-1 no embrião antes da implantação está de algum modo relacionado com o resultado da gravidez em mulheres submetidas à fertilização in vitro.
 

Harry Moore refere ainda que, até à data, não se sabia que esta proteína era expressa tão precocemente no embrião. “É interessante que a proteína sincitina-1 seja principalmente secretada nas células do embrião, conhecidas por células trofoblásticas polares, que aderem primeiro às células no útero, denominadas células epiteliais do endométrio”, disse.
 

Através de testes laboratoriais, os investigadores constataram que as células trofoblásticas que secretam a sincitina-1 não se fundem apenas, formando uma barreira protetora para o embrião, como também secretam nanovesículas conhecidas por exossomas. Estas vesículas podem comunicar com outras células noutros locais para ajudar na preparação da gravidez. Se este processo não ocorrer adequadamente, nas etapas iniciais, podem ocorrer problemas na gravidez.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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