Proteína de sobrevivência promissora no tratamento do cancro

Estudo publicado na “Genes & Development”

10 janeiro 2014
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A descoberta de uma estratégia prometedora poderá resultar no tratamento dos cancros causados por uma das alterações nas células mais comuns , revela um estudo publicado na revista “Genes & Development”.

 

Conduzido pelo Walter and Eliza Hall Institute, de Melbourne, Austrália, esta descoberta, que surge na sequência de mais de três décadas de trabalho, vem trazer esperança para o tratamento de muitos tipos de cancro cujo desenvolvimento e disseminação se deve à atividade da MYC, uma proteína envolvida no desenvolvimento do cancro.
 

Até 70% dos cancros nos seres humanos demonstram níveis extremamente altos e nada usuais de MYC, incluindo linfomas e leucemias, o que causa alterações cancerígenas nas células forçando-as a um crescimento anormalmente rápido.
 

A equipa liderada por Gemma Kelly, Marco Herold e Andreas Strasser, investigou a forma como as células com altos níveis de MYC sobrevivem e crescem. Os investigadores descobriram assim que os linfomas com elevados níveis de MYC não conseguem sobreviver a longo prazo sem a presença de MCL-1, uma proteína que promove a longevidade nas células.
 

Gemma Kelly explicou a forma como a proteína MYC promove o desenvolvimento do cancro e de que maneira é que é regulada a sobrevivência das células saudáveis e cancerígenas. “Desde há muitos anos que sabemos que as proteínas da família de proteínas BCL-2 aumentam a sobrevivência das células e cooperam com MYC para acelerar o desenvolvimento do cancro”, afirma.  “Até agora não se sabia que família de proteínas BCL-2 era a mais importante para a sobrevivência e crescimento dos cancros provocados por MYC”.
 

A investigadora explica que a equipa descobriu que as células de linfoma com altos níveis de MYC podem ser exterminadas mediante a desativação de uma proteína denominada MCL-1. “É entusiasmante o facto de, comparativamente às células saudáveis, as células de linfoma serem consideravelmente mais sensíveis a uma redução na função da MCL-1. Isto sugere que no futuro, medicamentos que bloqueiem MCL-1 possam ser mais eficientes no tratamento de cancros que expressem altos níveis de MYC, com efeitos secundários toleráveis nas células normais do organismo”, acrescenta Gemma Kelly.
 

Andreas Strasser acrescenta que “A MCL-1 encontra-se em níveis elevados num número de cancros do sangue e também em muitos tumores sólidos, pelo que há um forte impulso para o desenvolvimento de potenciais compostos contra o cancro que incidem sobre a MCL-1”. O investigador espera que em breve existam inibidores de MCL-1 para uso clínico.
 

O investigador acrescentou ainda que “agentes anticancerígenos que atuam sobre a proteína BCL-2, que está estreitamente relacionada com a MCL-1 têm-se revelado promissores em ensaios clínicos. (…) Estamos confiantes que os inibidores de MCL-1 estarão em breve disponíveis para ensaio clínico. Estamos muito empenhados em saber de esses compostos podem ser usados para tratar cancros provocados por MYC”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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