Proteína cerebral pode prever tempo de recuperação após concussão

Estudo publicado na revista “Neurology”

11 janeiro 2017
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A presença de níveis elevados da proteína cerebral tau no sangue após uma concussão desportiva pode estar associada a um período mais longo de recuperação, sugere um estudo publicado na revista “Neurology”.
 

Apesar de as 3,8 milhões de concussões associadas ao desporto que ocorrem anualmente nos EUA, ainda não existe uma forma de averiguar quando um atleta está apto para recomeçar a praticar desporto.
 

Atualmente os médicos e os treinadores baseiam-se nos autorrelatos dos desportistas e nos testes de avaliação da memória e atenção para decidir se o atleta pode voltar à atividade desportiva. Contudo, se o regresso for precoce, antes de o cérebro estar curado, o risco do atleta desenvolver problemas físicos e cognitivos fica aumentado, especialmente se ocorrer uma nova concussão.
 

Neste estudo os investigadores da Universidade de Rochester, nos EUA, decidiram avaliar a presença de alterações na proteína tau em atletas universitários que tinham sofrido uma concussão. A proteína tau, que desempenha um papel importante no desenvolvimento de encefalopatia crónica traumática, demência frontotemporal e doença de Alzheimer foi medida em amostras de sangue recolhidas na pré época e até seis horas após concussão.
 

Os atletas foram divididos em dois grupos com base no tempo de recuperação, mais de 10 dias ou menos de 10 dias.
 

O estudo apurou que os indivíduos que tiveram uma recuperação mais lenta apresentaram níveis mais elevados da proteína tau seis horas após a concussão, comparativamente com os que tiveram um menor tempo de recuperação. Os atletas que demoraram mais tempo a recuperar também apresentaram, comparativamente com o outro grupo, uma maior diferença entre os níveis de tau avaliados na pré-época e após a concussão. As análises estatísticas demonstraram que os níveis elevados da tau seis horas após a concussão previam, consistentemente, que o atleta iria demorar mais de 10 dias a voltar à atividade desportiva.
 

De acordo com Jeffrey Bazarian, um dos autores do estudo, em nota divulgada pela universidade, habitualmente os atletas estão ansiosos por voltar a jogar o mais rapidamente possível e dizem aos médicos que estão melhores mesmo sem estarem. Os níveis de tau são uma medida imparcial que não podem ser alterados.

 

O investigador acredita que a tau, conjuntamente com as avaliações físicas atuais, pode ajudar na tomada de decisões informadas e impedir que os atletas regressem à atividade desportiva quando os seus cérebros ainda estão a curar.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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