Proteína associada ao cancro está envolvida na demência

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

03 dezembro 2015
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Investigadores americanos demonstraram, pela primeira vez que, a proteína BRCA1 é necessária para a aprendizagem e memória e está ausente na doença de Alzheimer, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 
A BRCA1 é uma proteína chave envolvida na reparação do DNA, e as mutações que afetam a sua função aumentam o risco do cancro da mama e do ovário. Neste estudo os investigadores do Instituto Gladstone, nos EUA, demonstraram que a doença de Alzheimer estava associada à depleção da proteína BRCA1 nos neurónios e que esta ausência pode causar problemas cognitivos.
 
O BRCA1 tem sido estudado principalmente em células em divisão e no cancro, que é caracterizado por aumentos anormais no número de células. “Ficamos surpresos por termos constatado que a BRCA1 também desempenha um papel importante nos neurónios, que não se dividem, e numa doença neurodegenerativa caracterizada por uma perda destas células do cérebro", revelou, em comunicado de imprensa, a primeira autora do estudo, Elsa Suberbielle.
 
Nas células em divisão, a BRCA1 ajuda a reparar um tipo de dano no ADN, denominado por quebras de cadeia dupla, que ocorre quando as células são danificadas. Nos neurónios estas quebras podem ocorrer mesmo em condições normais, nomeadamente após um aumento da atividade cerebral. Os investigadores especularam que nas células cerebrais, os ciclos de dano e reparação do ADN facilitam a aprendizagem e a memória, enquanto um desequilíbrio entre o dano e a reparação afeta estas funções.
 
De forma a testar esta hipótese, os investigadores reduziram experimentalmente os níveis de BRCA1 nos neurónios de ratinhos. A redução da reparação do DNA conduziu à acumulação de danos, afetou os neurónios e levou a problemas de memória e aprendizagem. 
 
Uma vez que a doença de Alzheimer está associada a problemas neuronais e cognitivos semelhantes, os investigadores questionaram-se se os problemas poderiam ser mediados pela depleção da BRCA1. Desta forma analisaram os níveis da proteína BRCA1 nos cérebros dos pacientes com Alzheimer.
 
Comparativamente com os indivíduos saudáveis, os níveis da BRCA1 nos neurónios dos pacientes estavam reduzidos em 65 a 75%. Com o intuito de determinar a causa desta depleção, os investigadores trataram os neurónios que estavam a crescer em cultura de células com a proteína beta-amiloide, que se acumula no cérebro dos pacientes com doença de Alzheimer. 
 
O estudo apurou que a proteína beta-amiloide conduzia à depleção da BRCA1, o que sugere que esta é uma causa importante da reparação defeituosa do ADN observada no cérebro dos indivíduos com doença de Alzheimer. 
 
Os investigadores demonstraram ainda que a acumulação da proteína beta-amiloide nos cérebros dos ratinhos também reduziu os níveis da BRCA1 nos neurónios. Atualmente os investigadores estão a testar se o aumento dos níveis de BRCA1 nestes modelos de ratinho pode impedir ou reverter a neurodegeneração e os problemas de memória.
 
"A manipulação terapêutica dos fatores de reparação, como a BRCA1 pode vir a ser utilizada para prevenir os danos neuronais e o declínio cognitivo em pacientes com doença de Alzheimer ou em indivíduos em risco de doença. Ao normalizar os níveis ou a função da BRCA1, pode ser possível proteger os neurónios de danos excessivos no ADN e evitar muitos processos prejudiciais que podem estar a ocorrer”, conclui um dos autores do estudo, Lennart Mucke.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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