Proteína associada à doença de Parkinson tem um papel vital no cérebro

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

22 setembro 2016
  |  Partilhar:

Investigadores do Reino Unido descobriram como funciona nos cérebros saudáveis uma proteína conhecida por alfa-sinucleína, que está associada à doença de Parkinson, fornecendo pistas sobre o que ocorre quando as pessoas desenvolvem doença, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 

Apesar de há muito se reconhecer que o mau funcionamento da alfa-sinucleína é uma característica da doença de Parkinson, não se conhecia, até à data, o seu papel no cérebro saudável. O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Cambridge e do Imperial College London, no Reino Unido, demonstrou que esta proteína desempenha um papel importante na sinalização que ocorre no cérebro.
 

Os investigadores também demonstraram que a alfa-sinucleína regula a interação entre as vesículas sinápticas, que são pequenos recipientes de neurotransmissores. A alfa-sinucleína ajuda a empacotar o número correto de vesículas na posição adequada para libertar os seus neurotransmissores através das junções entre as células nervosas, as sinapses.
 

O estudo apurou que existem duas regiões diferentes da proteína que são capazes de se ligar às vesículas e manter algumas no local, enquanto outras são libertadas. Foram também testadas formas mutadas da alfa-sinucleína, que estão associadas à doença de Parkinson. Verificou-se que estas formas interferem com o mesmo mecanismo, afetando a capacidade de sinalização entre neurónios.
 

Giuliana Fusco, uma das autoras do estudo, referiu que já se sabia que alfa-sinucleína estava envolvida na regulação do fluxo das vesículas sinápticas nas sinapses, mas este estudo revelou exatamente como este processo ocorre.
 

Uma vez que foi demonstrado que as formas mutadas da proteína, que estão associadas ao início das formas familiares da doença de Parkinson, afetam este processo, os investigadores agora sabem que esta função também está afetada nos indivíduos portadores desta mutação.  
 

O estudo sugere que, em alguns casos familiares de início precoce da doença de Parkinson, uma vez que a alfa-sinucleína não funciona corretamente devido a alterações genéticas, a sua função de posicionamento das vesículas fica comprometida.
 

Uma das características da doença de Parkinson é, nomeadamente, a presença excessiva de alfa-sinucleína no cérebro. Nestas circunstâncias, é possível que se estabeleçam demasiadas ligações e que o fluxo de vesículas fique limitado, impedindo uma neurotransmissão eficaz.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.