Proteína associada à dislexia promissora na regeneração do tecido nervoso

Estudo publicado na revista “Cerebral Cortex”

23 fevereiro 2017
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Uma equipa de Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) descobriram que uma proteína associada à dislexia pode atuar no desenvolvimento dos neurónios e na regeneração do tecido nervoso, noticiou a agência Lusa.
 
Mónica Sousa investigadora líder deste projeto, explicou à agência Lusa que este estudo mostra que a proteína KIAA0319 "é muito importante na regulação do crescimento dos axónios (prolongamento que liga um neurónio a outro)" e que, conseguindo-se "diminuir os seus níveis", é possível "aumentar a capacidade regenerativa do tecido nervoso".
 
Para obter estes resultados, a equipa recorreu a trabalhos “in vitro” e “in vivo” (em ratinhos), nos quais comprovou que a KIAA0319, quando recebe um sinal, desencadeia uma cascata de acontecimentos que têm efeitos claros no desenvolvimento dos neurónios, incluindo o crescimento e a orientação.
 
Ou seja, "a presença desta proteína e a sua quantidade nos neurónios determina o efeito que um sinal pode ter quando chega à célula", lê-se num comunicado sobre a investigação.
 
Mónica Sousa indica que a dislexia está associada a baixos níveis de KIAA0319, devido a um tipo de erro que ocorre durante o desenvolvimento embrionário, e que se manifesta quando as crianças começam a aprender a ler, por exemplo.
 
Em doenças deste género, os profissionais sequenciam o genoma de indivíduos normais e comparam-no com o genoma de indivíduos disléxicos, para se descobrir uma porção deste material genético que esteja alterada.
 
Para além do gene KIAA0319, existem outros que explicam o fenómeno da dislexia, como é o caso do ROBO1 e do DCDC2. Quanto ao ROBO1, "já se demonstrou que tem uma forma de ação muito similar à descrita agora para o KIAA0319", estando ambos "sub-expressos nos casos de dislexia e, quando sobre-expressos, reduzem o crescimento dos axónios".
 
Estes resultados "permitem descrever o conjunto de acontecimentos dentro dos neurónios, que são dependentes da proteína expressa pelo gene KIAA0319 e dos sinais que ela recebe do meio circundante, permitindo desenhar um mapa de moléculas que interagem entre si para que os neurónios se desenvolvam ou não", afirmou Mónica Sousa.
 
O trabalho da equipa coordenada pela investigadora passa por "perceber o papel que desempenham determinadas proteínas no desenvolvimento dos neurónios, jovens ou adultos, com o objetivo de abrir novos caminhos para a regeneração do tecido nervoso".
 
Uma vez identificados os genes que regulam o crescimento axonal, procura-se verificar como é que estes e as proteínas que eles codificam agem, com o propósito de completar o "puzzle" de acontecimentos bioquímicos que são afetados por cada um desses genes.
 
No futuro, pretendem encontrar "uma solução eficaz e segura", "capaz de inibir a proteína", podendo ser utilizada como uma opção terapêutica em situações nas quais é necessário aumentar o crescimento axonal, como as lesões severas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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