Proteína alivia sintomas da doença de Alzheimer e melhora memória

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

30 agosto 2016
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Um aumento dos níveis de uma proteína específica no cérebro é capaz de aliviar as características principais da doença de Alzheimer, dá conta um estudo publicado na revista “Scientific Reports”.
 

A proteína, a neuregulina-1, tem muitas formas e funções no cérebro, sendo já considerada como um potencial alvo para doenças cerebrais, como a doença de Parkinson, esclerose lateral amiotrófica e esquizofrenia.
 

Estudos anteriores constataram que o tratamento de células com neuregulina-1 diminuía, nomeadamente, o percursor da proteína amiloide, uma molécula que dá origem à beta-amiloide, que se agrega e forma placas no cérebro dos pacientes com doença de Alzheimer. Outros estudos também demonstraram que a neuregulina-1 podia proteger os neurónios de danos causados pelo bloqueio do fluxo sanguíneo.
 

Neste estudo, os investigadores do Instituto Salk, nos EUA, testaram esta ideia num modelo animal para a doença de Alzheimer, tendo aumentado o nível de uma das duas formas da neuregulina-1 no hipocampo, a área do cérebro responsável pela aprendizagem e memória. Verificou-se que as duas formas da proteína melhoraram o desempenho num teste de avaliação da memória espacial.
 

O estudo apurou ainda que os níveis dos marcadores celulares da doença, incluindo os níveis da proteína beta-amiloide e as placas, eram significativamente mais baixos nos ratinhos com níveis mais elevados de neuregulina-1, comparativamente com os controlos.
 

Os resultados sugerem que a neuregulina-1 rompe as placas ao aumentar os níveis de uma enzima, a neprilisina, que degrada a beta-amiloide. Contudo, esta não é a única via através da qual a neuregulina-1 fornece benefícios. Na verdade, a equipa de cientistas está a explorar outros mecanismos possíveis, nomeadamente se a proteína aumenta a sinalização entre os neurónios, a qual se encontra afetada na doença de Alzheimer.
 

O tratamento com a neuregulina-1 ainda não está disponível no mercado, no entanto, alguns ensaios clínicos estão explorar esta proteína como um possível tratamento para insuficiência a cardíaca crónica e doença de Parkinson. Uma das vantagens da neuregulina-1 é que esta atravessa a barreira sangue-cérebro, o que significa que pode ser administrada de uma forma relativamente não invasiva.
 

Por outro lado, alguns investigadores têm sugerido que a presença de quantidades excessivas desta proteína pode afetar a função cerebral. Os investigadores desenvolveram uma pequena molécula que aumenta os níveis existentes da neuregulina-1, em vez de esta ser administrada diretamente, e que está a ser testada em células. Esta terapia alternativa poderá impedir a formação de placas com uma maior eficácia, uma vez que as moléculas mais pequenas atravessam mais facilmente a barreira sangue-cérebro.
 

Os cientistas, liderados por Kuo-Fen Lee, estão também a investigar o papel da neuregulina-1 na esquizofrenia. Uma alteração do gene que codifica a neuregulina-1 tem sido encontrada em famílias com esquizofrenia e associada ao aparecimento tardio da doença de Alzheimer com psicose. O investigador conclui que a proteína pode ajudar a compreender a sobreposição entre a doença de Alzheimer e outras condições cerebrais.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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