Proteína alimenta as células tumorais para formar as metástases

Akt - mais um alvo na luta contra o cancro

03 maio 2003
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Os tumores cancerígenos alimentam-se de uma proteína irregular para serem capazes de proliferar longe do seu local de nascença, formando as metástases, concluíram investigadores franceses, num trabalho que teve a colaboração de cientistas belgas e norte- americanos.
 

 

Os investigadores, cujos trabalhos foram publicados na edição de Maio da revista Cancer Research, conseguiram estabelecer o papel desta proteína, conhecida por Akt.
 

 

A proteína é continuamente activada em vários cancros, nomeadamente os dos ovários, pâncreas, mama e tiróide.
 

 

Num futuro mais ou menos próximo, os investigadores esperam ser capazes de fazer com que esta proteína regresse ao caminho certo, travando a formação de tumores.
 

 

O objectivo é determinante para o tratamento do cancro, uma vez que, enquanto as células se mantêm agrupadas, o tumor, localizado, poderá ser facilmente tratado por cirurgia ou radioterapia.
 

 

Pelo contrário, quando as células se disseminam, a erradicação do tumor é bastante mais complexa.
 

 

A situação é muito frequente depois de acidentes genéticos, em que as células, que ganham um comportamento anormal, acabam por escapar a toda a regulação.
 

 

Provenientes de uma primeira célula mutada, as células cancerígenas formam então um tumor, que se torna cada vez mais agressivo para o seu ambiente e escapa a todo o controlo.
 

 

Segundo a investigação, certas células cancerígenas não se contentam apenas em progredir no seio do seu tecido de origem e decidem espalhar-se por outros.
 

 

É aí que intervém a proteína Akt. O longo caminho das células tumorais pelo organismo apenas é possível se certas proteínas perderem a sua actividade enquanto outras, como a AKT, a aumentam.
 

 

"É isso que lhes permite penetrar num outro tecido, perfurar um vaso sanguíneo ou linfático, propagar antes de aderirem à parede de um capilar depois de invadirem um novo tecido", explicam os investigadores do Instituto Curie.
 

 

O percurso e os órgãos visados pelas células tumorais "circulantes" variam geralmente segundo a natureza e a implantação do cancro primitivo.
 

 

Em colaboração com cientistas belgas e norte-americanos, a equipa de Lionel Larue, do Instituto Curie, em Paris, conseguiu demonstrar que a activação - em contínuo e não de forma alternada - da proteína Akt comporta ainda uma perda de adesão entre células e um aumento na sua velocidade de deslocação.
 

 

"A activação anormal da proteína Akt confere às células a mobilidade necessária para irem invadir outros tecidos e formar as metástases", estimam os investigadores do Instituto Curie.
 

 

Agora, acrescentaram, o objectivo é actuar nesta proteína para evitar a invasão de células tumorais provenientes de outros tecidos.
 

 

Fonte: Lusa

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