Protecção Solar - Sombras de polémica

Factos e conselhos médicos para uma segura exposição solar

21 julho 2001
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A protecção solar constitui um assunto recorrente durante a época balnear, uma vez que a população se encontra nesta altura mais sensibilizada para o problema.
 

 

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As taxas de incidência e de mortalidade atribuíveis ao melanoma, o tumor cutâneo com maior mortalidade, têm aumentado de forma sistemática nas últimas décadas, devido sobretudo ao aumento da exposição à radiação ultravioleta.
 

 

Existem fundamentalmente 2 tipos de radiação ultravioleta potencialmente nocivos para a pele:
 

- Radiação ulltra-violeta A (UVA)
 

- Radiação ultra-violeta B (UVB)
 

 

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Dado que durante algum tempo se pensou que as queimaduras solares, atribuíveis sobretudo à radiação UVB, eram primordialmente responsáveis pelo melanoma, os primeiros fotoprotectores disponíveis no mercado protegiam essencialmente apenas contra os UVB. A aplicação desses filtros solares permitia maiores tempos de exposição solar, uma vez que os indivíduos que os usavam “não se queimavam” tão facilmente, conduzindo por outro lado a uma exposição maciça, incontrolada e “silenciosa” à radiação UVA durante vários anos... Este efeito, aliado ao facto de os UVA serem 20 vezes mais abundantes na natureza que os UVB, possuindo a capacidade de atravessar superfícies vidradas e sendo pouco afectados pela latitude, altitude ou pelas condições atmosféricas, conduziu, de acordo com alguns estudos, a um aumento paradoxal da incidência de melanoma em indivíduos que aplicavam regularmente protectores solares ao longo da vida!!
 

 

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A 4 de Fevereiro de 2001 realizou-se uma conferência de consenso em Washington, promovida pela Associação Americana de Dermatologia (AAD), com a participação da FDA, indústria farmacêutica e sociedades de fotobiologia, com o objectivo de padronizar critérios e métodos para determinar e avaliar quantitativamente a eficácia dos filtros UVA e UVB. Se no que respeita à protecção UVB, o índice SPF (sun protector factor) de 15 como nível mínimo aceitável, era já consensual, no que respeita à protecção UVA, foi definido um incremento mínimo de 4 vezes no índice PPD acima referido, na presença do filtro solar, para ser considerado eficaz contra os UVA.
 

 

Em resumo, pode concluir-se que a utilização de um protector solar adequado ao tipo de pele, não confere ao utilizador uma segurança absoluta relativamente prevenção do cancro cutâneo. Deverá ser complementada pela observância de um conjunto de regras básicas, que devem estar sempre presentes na conduta diária de pais e educadores e transmitidas precocemente, se possível de forma didáctica às crianças. Essas regras ditam quer se evite a exposição ao sol nas horas de maior insolação 11:30-15:30, tendo todavia em conta que a areia e a água reflectem a radiação ultravioleta respectivamente em 25 e 5% e que mesmo imersos em água até 50 cm de profundidade, recebemos cerca de 40% da radiação UV. Nunca esquecer de renovar aplicação do protector solar após 1,5 hora de exposição ao sol, uma vez que a exposição solar por si só altera as propriedades físico-químicas do filtro solar, diminuindo-lhe a actividade, bem como após a imersão em água.
 

 

Nas crianças, a primeira aplicação do protector solar deverá ser feita em casa, repetindo-se as aplicações subsequentes de acordo com as regras acima estabelecidas. Em caso de permanência na praia no horário das 11:30-15:30, a criança deverá permanecer à sombra, vestida com roupas claras, aplicando-se o protector solar nas áreas descobertas. Está contra-indicada a frequência da praia, bem como a aplicação de protectores solares, em bebés com idade inferior a 1 ano.
 

 

Miguel Taveira
 

Médico Dermatologista
 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

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