Projeto promove parentalidade positiva e evita situações de maus-tratos

Estudo da Universidade do Porto

22 abril 2016
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Investigadores da Universidade do Porto estão a desenvolver um projeto sobre a parentalidade positiva para promover o bem-estar infantil e prevenir situações de maus-tratos e negligência.
 

Uma das coordenadoras do projeto levado pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP) e intitulado "Implementação do Triplo P numa população em desvantagem social", Orlanda Cruz, referiu à agência Lusa que "é fundamental que os pais tenham consciência de que o crescimento saudável das crianças está, em grande parte, dependente da forma como eles as educam".
 

A coordenadora referiu que se verifica "com frequência, que os pais sentem dificuldades em educar os seus filhos no dia-a-dia, a própria sociedade contemporânea coloca uma série de desafios acrescidos", diferentes dos vividos há uma geração.
 

Orlanda Cruz acrescenta que é frequente ambos os pais trabalharem longe de casa e a tempo inteiro, por vezes de forma precária e com horário alargado, sendo pouco o tempo de qualidade passado com os filhos.
 

"O que fazer quando a criança não cumpre regras, não respeita os limites ou simplesmente não obedece? Esta é a grande questão para um grande número de pais. Por um lado, não querem usar da força e bater nas crianças, o que aliás é proibido em Portugal desde 2007, mas por outro lado, não sabem o que fazer", explicou.
 

O castigo físico e os berros surgem frequentemente em resultado da dificuldade em manter o autocontrolo e em associação com um sentimento de impotência para lidar com os filhos.
 

O “Triple P” - Promovendo a Parentalidade Positiva - é um programa de intervenção parental que ensina aos pais estratégias educativas comprovadamente eficazes, de acordo com os estudos que têm sido feitos em diversos países.
 

O objetivo é verificar se este programa é igualmente eficaz com um conjunto de mães portuguesas provenientes de meios socioeconómicos desfavorecidos e apoiadas pela Santa Casa da Misericórdia de Penafiel, onde o projeto está a ser dinamizado pela técnica e investigadora Sandra Nogueira.
 

O “Triple P” conta com oito sessões, sendo cinco presenciais e realizadas em grupo (oito a 12 pais) e as restantes três individuais e por telefone.
 

Ao longo das sessões, os pais aprendem a utilizar estratégias que promovem comportamentos adequados a ter com as crianças e estratégias que diminuem os comportamentos inadequados.
 

Como consequência, ao longo do programa, os pais percecionam-se a si próprios como mais capazes e mais eficazes a lidar com os filhos, explicou a coordenadora.
 

"É suposto que as mudanças se mantenham a longo prazo e para isso fazemos avaliações de seguimento, que podem ser seis, nove ou doze meses depois do final do programa", concluiu Orlanda Cruz.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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