Programa nacional de rastreio do cancro oral vai ser criado

Tumor mata cada vez mais em Portugal

13 março 2012
  |  Partilhar:

O Governo vai criar um programa nacional de rastreio do cancro oral, um tumor que está a aumentar em Portugal e que tem elevada taxa de mortalidade.

 

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Orlando Monteiro, revelou à agência Lusa que o cancro oral está a aumentar, principalmente nas mulheres e nos jovens, devido ao aumento do consumo de álcool e tabaco. Contudo, 25 % destes cancros verificam-se em pessoas que não fumam nem bebem.

 

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Leal da Costa, mostrou-se preocupado e adiantou que o Governo está a estudar soluções. O governante assegurou que vai “trabalhar com a Direção-Geral da Saúde (DGS) para desenhar um programa de rastreio nacional e encontrar maneira de o financiar”.

 

“Vamos implementar e manter junto dos médicos dentistas - e é um programa que depende da DGS - uma maior capacidade e um programa organizado de rastreio de cancro oral”, disse Leal da Costa.

 

Para Orlando Monteiro, é fundamental o rastreio para detetar precocemente este tipo de cancro, um dos mais fáceis de detetar e curar, se diagnosticado em fase inicial.

 

“Mas, paradoxalmente, 50% das pessoas com cancro oral morrem e a taxa de sobrevida é muito baixa, com morte ao fim de cinco anos”, disse, considerando ser uma taxa de mortalidade muito elevada para o tipo de cancro que é.

 

O problema é que o rastreio é feito normalmente em clínicas dentárias, pois o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não tem resposta, e as pessoas vão cada vez menos ao dentista por dificuldades financeiras, um cenário que tende a agravar-se mais ainda devido à crise, explicou.

 

“Nos últimos dois anos a perceção que temos é de que a redução do número de pessoas em consultas é grande, só aparecem em situações de maior urgência, com muita dor”, afirmou.

 

Por isso, defende uma estratégia que envolva o Governo e sugeriu a integração deste rastreio e realização de biopsia, quando indicado, no Programa Cheque Dentista, “pelo menos no grupo mais vulnerável, que é o das pessoas com mais de 40 anos, fumadoras e consumidoras de álcool”.

 

Na opinião do bastonário é também importante sensibilizar os médicos e a população para a importância de fazerem o auto-exame.

 

“Os sinais de alerta, que podem ser detetados com um espelho e uma boa luz, são manchas ou lesões na boca que não desaparecem, e dificuldade persistente em mastigar ou engolir”, explicou.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 4
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.