Programa nacional de despistagem de dioxinas

Cientistas portugueses debatem assunto em Lisboa

18 março 2003
  |  Partilhar:

Especialistas em dioxinas vão defender sexta-feira, na Faculdade de Medicina de Lisboa, o desenvolvimento de um programa nacional que periodicamente despiste a existência deste composto potencialmente cancerígeno em produtos alimentares e no ambiente.
 

 

Actualmente, explicou à Agência Lusa Maria Fátima Reis, investigadora do Instituto de Medicina Preventiva, não se fazem análises de detecção de dioxinas em Portugal e as que são necessárias são realizadas no estrangeiro, o que representa um desperdício de dinheiro para o país.
 

 

A questão deverá centrar os trabalhos do primeiro encontro nacional sobre «Dioxinas e Compostos Similares na Saúde e no Ambiente», que decorrerá sexta-feira na Aula Magna da Faculdade de Medicina de Lisboa.
 

 

O encontro deverá reunir cerca de uma centena de especialistas provenientes de mais de uma dezena de instituições nacionais, bem como alguns oradores estrangeiros.
 

 

Representantes de empresas e organizações não governamentais na área do ambiente deverão também participar, numa altura em que é particularmente oportuna a discussão sobre a necessidade de despistar sistematicamente a existência de substâncias perigosas para o homem nos alimentos.
 

 

As dioxinas são compostos potencialmente cancerígenos, mutagénicos (induzem alterações no código genético) e teratogénicos (responsáveis por malformações nos fetos).
 

 

A dioxina não é uma única substância mas uma família de 278 isómeros (qualidade de ter a mesma composição química com aspectos físicos diferentes), dos quais o mais perigoso é a Tetracloro Dibenzo Dioxina (TCDD).
 

 

Em 1976, a explosão de um reactor numa indústria química em Milão libertou para a atmosfera uma nuvem que continha TCDD, responsável pela morte de 50 mil animais e que fez com que o Vaticano autorizasse a realização de mais de 2 mil abortos.
 

 

A Organização Mundial de Saúde estima que uma dose de TCDD superior a 4 picogramas (milionésimo de milionésimo do grama) por dia e por quilo de peso do consumidor tenha efeitos nos sistemas imunitário, endócrino e reprodutivo dos seres humanos.
 

 

Em 1999 foram detectados em frangos belgas 750 picogramas de dioxina por cada grama de gordura, 1.562 vezes mais do que o permitido pelas normas da União Europeia.
 

 

Além da sua elevada toxicidade, as dioxinas não são biodegradáveis, o que lhes permite sobreviver durante muito tempo no meio ambiente, e são bioacumuláveis.
 

 

As fontes emissoras de dioxinas são essencialmente processos industriais e de combustão, sendo o consumo de alimentos a forma mais importante para a exposição dos seres humanos à dioxina (95 a 98 por cento do total).
 

 

Fonte: Lusa
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.