Programa de prevenção de substâncias reduz consumos

Iniciativa desenvolvida em contexto escolar desde 2010

25 setembro 2015
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O programa de prevenção de uso de substâncias por adolescentes, “Trilhos”, que foi desenvolvido em contexto escolar, conseguiu aumentar a perceção do risco destes consumos e diminuir o número de jovens que começam a consumir álcool e canábis.
 
Este programa lançado em 2010 teve como objetivo reduzir o número de alunos que inicia o consumo de tabaco, álcool e canábis antes dos 15 anos de idade.
 
Estes dados, relativos à perceção de risco e ao uso de substâncias, foram, de acordo com notícia da agência Lusa, apresentados esta semana na “1ª Conferência Europeia sobre Comportamentos Aditivos e Dependências – Lisbon Addictions 2015” que decorre até dia 25 em Lisboa.
 
De acordo com a autora do estudo, Ana Tavares, em declarações à Lusa, a perceção do risco funciona nos jovens como um “mediador” em relação ao uso de substâncias e, embora ainda seja preciso “aprofundar melhor a questão do risco”, estes resultados já permitem perceber que “há um aumento da perceção de risco” entre os jovens que participaram no estudo.
 
Trata-se de adolescentes de 13 anos (3º ciclo) de várias escolas do interior do país, “porque eram escolas onde não havia intervenção”.
 
“É um dado encorajador [o aumento da perceção de risco]. Dentro do grupo alvo de intervenção, o grupo que relata nunca ter consumido álcool e tabaco revela uma maior perceção. Isto é congruente com outras substâncias”, explicou a investigadora.
 
O estudo conclui ainda que os que referem não consumir álcool têm também uma perceção de risco em relação a outras substâncias, como o tabaco ou a canábis, e têm maior capacidade de destrinçar os mitos da realidade, como acontece com a ideia generalizada de que “fumar haxixe faz menos mal do que tabaco”.
 
O programa partiu inicialmente de grupos equivalentes, relativamente à perceção de risco e ao uso de substâncias, e “ficaram diferentes no fim”.
 
No entanto, Ana Tavares refere que destes resultados ainda é preciso “discriminar o que depende da intervenção e do próprio desenvolvimento” dos jovens. “Esses são os estudos a seguir. É preciso outras ferramentas, é preciso mais investigação” acrescenta.
 
Com este programa pretende-se fornecer “ferramentas” para desenvolver competências pessoais e sociais, como as competências de resolução de problemas, de comunicação, de gestão emocional ou de tomada de decisão, aspetos “que se sabe contribuírem para a resiliência e potenciarem um desenvolvimento saudável”.
 
No fundo, centra-se nas áreas informativa, emocional e social, acrescenta Ana Tavares, explicando que estas competências funcionam como “fatores de proteção relativo ao início de consumo de substâncias”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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