Profissões artísticas e os distúrbios com o corpo

Estudo sugere ligação

08 maio 2005
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Exercer uma profissão ou ter habilidades em áreas artísticas ou desenho está associado a um risco maior de desenvolver distúrbio dismórfico corporal, uma obsessão com as imperfeições pequenas ou imaginárias na aparência.
 

Um estudo preliminar feito no Hospital Priory North London, na Grã-Bretanha, refere que pessoas que «desenvolvem um olhar mais crítico e apreciam a estética» poderiam aplicar esses valores à própria aparência.
 

 

Embora o estudo suscite algum interesse, ainda se encontra numa fase bastante embrionária. David Veale, coordenador da investigação, aponta ser necessário «pesquisar mais para verificar se esse é um factor de risco real para o desenvolvimento do distúrbio dismórfico corporal.»
 

 

No estudo, os investigadores avaliaram 100 pessoas com distúrbio dismórfico _ também conhecido como dismorfofobia (medo de se tornar deformado) _ atendidas num hospital psiquiátrico particular. Como parâmetro de comparação, analisaram ainda 100 pacientes com depressão, 100 com distúrbio bipolar e 100 pessoas com distúrbio por stress pós-traumático.
 

 

A equipa constatou que um em cada cinco pacientes (20 por cento) com distúrbio dismórfico corporal trabalhava ou tinha formação em algum campo das artes ou do desenho, como arquitectura ou desenho gráfico, segundo artigo publicado no American Journal of Psychiatry.
 

 

Em comparação, apenas quatro por cento dos pacientes com depressão grave, três por cento dos portadores de distúrbio bipolar e nenhum paciente do grupo com stress pós-traumático trabalhou ou teve formação similar, indicaram os resultados.
 

 

Não ficou claro, no entanto, se os pacientes afectados pelo distúrbio dismórfico corporal eram mais propensos a procurar formação e profissões relacionadas à arte e desenho ou se as pessoas que trabalhavam nesse campo tinham uma tendência maior em desenvolver a doença, comentaram os autores do estudo.
 

 

Estudos anteriores já tinham associado outras profissões a um risco mais elevado de desenvolver determinados distúrbios mentais, apontaram os cientistas. Os bombeiros, por exemplo, são conhecidos por ter um risco maior em desenvolver distúrbio por stress pós-traumático, enquanto os bailarinos apresentam uma tendência maior a desenvolver problemas relacionados com a alimentação.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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