Profissionais de saúde com lesões por esforço ausentam-se mais do trabalho

Estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto

13 março 2019
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Um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) concluiu que os profissionais de saúde afetados por lesões por esforço "ausentam-se mais" do trabalho e tendencialmente por um período superior a 20 dias, revelou o responsável.
 
Em entrevista à Lusa, o investigador do ISPUP João Amaro explicou que o estudo visava compreender o "fenómeno de sinistralidade no trabalho".
 
"Queríamos compreender o fenómeno e melhorar a caracterização do diagnóstico. Por outro lado, também queríamos perceber quais as variáveis que influenciavam o absentismo e acabámos por perceber que era justamente o diagnóstico que influenciava a maior ou menor duração do absentismo e não outros fatores como a idade, género ou grupo profissional", esclareceu o investigador.
 
A base de dados do serviço hospitalar permitiu aos investigadores caracterizarem, entre janeiro de 2011 e dezembro de 2014, 824 casos de lesão musculosquelética por acidente de trabalho, algo que para João Amaro foi "surpreendente".
 
"Normalmente tendemos a pensar nos acidentes de trabalho como uma queda ou um traumatismo e o que percebemos foi que, em termos hospitalares e institucionais, a lesão por esforço, relacionada com movimentação de cargas, tem um peso maior em termos de ausência ao trabalho", salientou.
 
Através de uma "regressão logística" (técnica estatística), a equipa de investigadores conseguiu observar que as lesões por esforço estão "associadas a um risco cinco vezes maior de absentismo laboral por um período superior a 20 dias".
 
Segundo o investigador, estas lesões têm uma "maior incidência" em mulheres e em trabalhadores mais jovens, com cerca de cinco anos de experiência.
 
"Percebemos que o género não tinha influência e que apesar de a maioria dos acidentes serem em mulheres, isso apenas reflete o facto de haver mais trabalhadoras do sexo feminino no hospital. Quanto aos jovens, este é um fenómeno mais incidente em recém-admitidos no hospital, talvez por não terem tanta noção do que pode acontecer", apontou.
 
À Lusa, João Amaro adiantou que os resultados do estudo sinalizam a "necessidade", em termos de prevenção, de alertar os mais jovens, mas também de consciencializar os profissionais de saúde para a gravidade destas lesões.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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