Produtos para purificar a água podem causar alergias alimentares

Estudo publicado no “Annals of Allergy, Ashtma and Immunology”

06 dezembro 2012
  |  Partilhar:

Certas substâncias químicas utilizadas na purificação da água poderão estar a contribuir para o crescente desenvolvimento de alergias alimentares, revela um novo estudo conduzido pelo American College of Allergy, Asthma and Immunology (ACAAI), nos EUA.
 

Conhecidas como diclorofenóis, além de serem utilizadas na purificação da água canalizada, estas substâncias podem ser também encontradas em pesticidas para a agricultura, inseticidas e produtos para as ervas daninhas de uso doméstico.
 

O estudo envolveu 10.348 participantes num inquérito do US National Health and Nutrition Examination Survey de 2005-2006 (um programa de estudos destinados a determinar a saúde e dieta de crianças e adultos nos EUA), 2.548 dos quais apresentavam diclorofenóis num exame à urina. A equipa baseou a investigação em 2.211 destes participantes. Foi determinado que 411 dos participantes tinham alergias alimentares e 1.016 apresentavam alergias a fatores ambientais.
 

Segundo Elina Jerschow, alergologista, membro da ACAAI e principal autora do estudo, “a nossa investigação demonstra que níveis elevados de pesticidas que contêm diclorofenóis podem conduzir à redução da tolerância alimentar nalgumas pessoas, causando alergias alimentares”.
 

“Os efeitos nocivos da exposição de baixo nível aos pesticidas só se começaram a revelar nos últimos anos. Este facto é particularmente preocupante, já que a exposição de baixo nível a pesticidas acontece diariamente, com todos nós, através dos alimentos que consumimos e da sua frequente utilização em jardins, relvados e mesmo dentro de edifícios como apartamentos, casas e escolas”, afirmou o Dr. Kenneth Spaeth, diretor do Occupational and Environmental Medicine Center no North Shore University Hospital em Manhasset, Nova Iorque, EUA.
 

O diretor acrescentou ainda que, considerando que o sistema imunitário começa a desenvolver-se ainda durante a gestação e continua o desenvolvimento durante a infância, é plausível que a exposição a estes pesticidas durante esse período possa alterar o sistema imunitário de forma a aumentar o risco de alergias.

 

Estudos anteriores demonstraram que as alergias alimentares e a poluição ambiental estão a aumentar nos EUA e que ambas as tendências poderão estar interrelacionadas. Elina Jerschow acredita que “o aumento da utilização de pesticidas e de outras substâncias químicas está associado a uma maior prevalência de alergias alimentares”.
 

A autora acrescentou ainda que a solução não passa pelo consumo de água engarrafada e que outras fontes de diclorofenol, tal como frutas e legumes poderão contribuir mais fortemente para causar alergias alimentares.
 

Para reduzir a exposição ambiental a pesticidas, Kenneth Spaeth recomenda a adoção das seguintes medidas: preferir alimentos biológicos, que possuem menos pesticidas e demonstraram reduzir os níveis dos mesmos no organismo; evitar áreas, edifícios, quintais e jardins onde tenham sido utilizados pesticidas; evitar o uso de pesticidas em casa e encorajar as escolas a adotarem métodos não tóxicos de controlo de infestações.
 

ALERT Life Sciences Computing S.A.

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.