Produtos naturais podem ser fatais para doentes oncológicos

Alerta do Observatório de Interações Planta–Medicamento

12 junho 2013
  |  Partilhar:

A toma de alguns produtos naturais pelos doentes oncológicos antes da cirurgia pode causar “acidentes graves” ou até fatais durante a intervenção cirúrgica, alerta do Observatório de Interações Planta–Medicamento (OIPM).
 

“As misturas que os doentes oncológicos fazem e que têm causado situações graves de saúde em Portugal e em outros países” é o tema da última semana da campanha “Aprender Saúde entre as Plantas e os Medicamentos”, do observatório da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra.
 

“Os acidentes em cirurgia são dos mais graves e podem ser fatais, quando se consumiu antecipadamente alguns tipos de produtos naturais”, porque aumentam a metabolização, mas também porque podem bloquear proteínas transportadoras, por exemplo, de anestésicos ao cérebro, referiu o observatório coordenado por Maria Graça Campos.
 

A notícia avançada pela agência Lusa refere que alguns produtos podem também fazer aumentar o tempo de anestesia, o tempo de hemorragia, provocar dificuldades de coagulação, alterações na sedação, pressão arterial e “a rejeição de órgãos, por toma nas semanas anteriores de plantas que sejam, por exemplo, indutoras das enzimas necessárias para a metabolização de medicamentos, como a ciclosporina”.
 

No último ano, o OIPM elaborou tabelas de interações Planta–Medicamento em perioperatório, que estão em fase de validação pela comunidade científica internacional para depois serem divulgadas em Portugal, de forma a evitar estas ocorrências.
 

“O número de pessoas com cancro aumenta de ano para ano e o de produtos naturais que anunciam o milagre da cura também”, disse à agência Lusa, Graça Campos, que também lidera o grupo de investigação do Projeto “IciPlant – Interações entre Citostáticos e Plantas”, que decorre desde 2009 entre a Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra e o Instituto Português de Oncologia de Coimbra.
 

A equipa tem acompanhado doentes e analisado produtos levados pelos pacientes, alguns dos quais estavam contaminados com substâncias tóxicas, acrescentou.
 

“Na prática, o que acontece é que se pode reduzir o efeito do medicamento se for diminuída a absorção ou a distribuição. Há redução na absorção sempre que conjuntamente com o medicamento se consomem, sementes (linho, psílio, chia) algas ou fibras”, disse a especialista.
 

Plantas com atividade diurética, como alfavaca-de-cobra, alcachofra, aipo, dente-de-leão e cavalinha, também reduzem efeito do medicamento devido ao aumento da excreção.

 

Já plantas como a erva de São João (hipericão), ginseng americano (especialmente os seus metabolitos libertados no intestino), alcachofra, cardo mariano e o “dan shen” aumentam a metabolização, diminuindo a dose disponível do medicamento.

 

“A redução na dose disponível do medicamento conduz a uma ineficácia do tratamento, o que pode levar à potencial proliferação do processo tumoral”, explicou o observatório.

 

Por outro lado, plantas como o alcaçuz, alho fresco, aloé, bagas de Goji, cardo mariano, castanheiro-da-índia, chá verde, “dong quai”, gingko, ginseng asiático, hidraste, kava-kava, mangostão, propólis, extrato de sementes de uvas, sumo de toranja e valeriana impedem a eliminação do medicamento no tempo programado e necessário no organismo para exercer a sua ação terapêutica.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Classificações: 3Média: 4.3
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.