Produtos naturais podem comprometer tratamentos oncológicos

Alerta do Observatório de Interações Planta-Medicamento

14 maio 2013
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Os doentes oncológicos são os que apresentam os casos “mais graves” resultantes da toma de medicamentos conjugada com “produtos naturais”, que podem comprometer o tratamento e ameaçar a vida do paciente, alerta a coordenadora do Observatório de Interações Planta-Medicamento.
 

A “fragilidade e o desespero” em que o doente e a família se encontram tornam-nos mais vulneráveis a “uma promessa de cura milagrosa, sem efeitos adversos”, revelou à agência Lusa a docente da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, Maria da Graça Campos.
 

“Os doentes oncológicos são os mais bombardeados com produtos mais bioativos, que normalmente são mais tóxicos", refere a investigadora, acrescentando que têm sido registados “muitos casos graves em Portugal, e noutros países do mundo”, devido à interação destes produtos com medicamentos.
 

Estes produtos são compostos por substâncias ativas que visam três objetivos: desintoxicar, tratar o processo tumoral e acalmar os doentes. No entanto, a investigadora adverte que, além de não lhes tratar o processo tumoral, estes produtos “comprometem muitas vezes” os tratamentos e, em algumas situações, podem pôr em risco a vida do doente.
 

De acordo com o Observatório - criado há dois anos para estudar as interações entre as plantas e os medicamentos “mais frequentes e preocupantes” que ocorrem em Portugal -, as plantas que são vendidas a "preços exorbitantes", no “mercado paralelo, e que visam a cura do cancro contêm substâncias químicas tão ou mais tóxicas do que as que são usadas em quimioterapia”.

Quando consumidas em simultâneo podem causar graves danos na saúde do doente, alerta a especialista, dando como exemplos o aloés, a alcachofra e a erva de São João, conhecida também por hipericão. “É importante que esta população tome consciência dos riscos a que é exposta quando faz esta terapia associada”, sublinha a investigadora.
 

Maria da Graça Campos refere que, muitas vezes, os doentes não contam ao médico que estão a fazer esta medicação em paralelo com o tratamento. “Algumas vezes porque têm receio da reação do clínico que o está acompanhar, mas outras vezes também são um pouco induzidos por quem lhes recomenda essas tomas”, explica.
 

Na maioria das vezes, dizem-lhe que o produto não interfere com o tratamento que estão a fazer, como a quimioterapia. “Isso não é verdade, aliás é muito falso”, frisa Graça Campos, argumentando que, “na maioria das situações, a toxicidade é muito elevada”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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