Produtos de leitura dupla para pessoas com e sem deficiência visual criados no Porto

Projeto da Santa Casa da Misericórdia do Porto

21 maio 2015
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O Centro Professor Albuquerque e Castro (CPAC), criado em 1956 no Porto para a impressão de obras em Braille, aposta agora na dupla leitura, tornando os produtos para invisuais “verdadeiramente inclusivos.
 
Em declarações à agência Lusa, João Belchior, diretor do centro, esclareceu que o objetivo passa por produzir materiais impressos “em simultâneo em Braille e a negro”, dando resposta a uma grande lacuna do mercado relativamente a produtos inclusivos.
 
Livros infantis e o mapa de rede do Metro do Porto, por exemplo, estão já ser produzidos em dupla leitura naquele centro de impressão em Braille da Santa Casa da Misericórdia do Porto (SCMP).
 
Apesar de CAPC ter iniciado “timidamente este trabalho há três anos”, “no último ano investimentos seriamente nesta dupla leitura”, disse João Belchior à Lusa.
 
Esta aposta de dupla leitura complementa o trabalho realizado há anos diretamente para cegos, como a produção de livros e outros materiais editados em Braille.
 
O CAPC realiza “transcrições de 50 livros por ano”, segundo João Belchior, acrescentando que a lista das obras é criada em conjunto com quem lê as produções do centro.
 
O trabalho de transcrição de livros para Braille é uma tarefa laboriosa, em que é necessário digitalizar livros página a página, trabalhar o documento em programas de edição de texto para eliminar erros de digitalização e formatar todo o texto em Braille. 
 
A impressora é depois programada para reconhecer os caracteres enviados, para que a obra fique em Braille. 
 
Por fim, “qualquer obra tem três revisões feitas por cegos, para minimizar os erros”, explica o diretor do centro.
 
Mensalmente, o CPAC produz ainda as revistas “Poliedro” e “Rosa dos Ventos”, que são distribuídas por países de todo o mundo onde se usa o português.
 
A página na internet da SCMP refere que a Imprensa Braille foi fundada em 1956 por José de Albuquerque e Castro, professor no Instituto de S. Manuel, a quem a Fundação Americana para Deficientes Visuais Estrangeiros ofereceu uma máquina de estereotipar e outra de imprimir, bem como uma grande quantidade de zinco para a estereotipia e de papel para a impressão.
 
Todo esse material foi doado à SCMP para criação, numa sala daquele Instituto, do Centro de Produção do Livro para o Cego, de que o Professor veio a ser o primeiro diretor até 1967, data do seu falecimento.
 
Acrescenta que, em 1972, por proposta da Comissão Permanente de Braille e em homenagem ao seu fundador, esse estabelecimento passou a chamar-se “Centro Professor Albuquerque e Castro – Edições Braille”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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