Produção laboratorial de orgãos para breve?

Dados os primeiros passos para a produção de "orgãos" funcionais

11 abril 2001
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A equipa de investigadores japoneses liderada pelo Dr. Teruo Okano do “Women´s Medical University” de Tóquio deu um passo decisivo no sentido da produção de órgãos em laboratório.
 

 

Usando um pequeno truque e um polímero especial, foi possível criar células hepáticas em finíssimas camadas e assim construir uma réplica de uma unidade funcional complexa do fígado. Assim, foi possível, pela primeira vez, manter vivas células hepáticas em laboratório durante vários meses.
 

 

Culturas de hepatócitos (as células principais do fígado) sobrevivem normalmante apenas 5 a 6 dias em meio laboratorial e necessitam, tal como no fígado, de células endoteliais para as “ajudarem” a suprir as suas necessidades metabólicas. Mas a simples mistura destes 2 tipos celulares não prolonga a vida dos hepatócitos.
 

 

O investigador Okano e os seus colegas intercalaram camadas unicelulares de hepatócitos com camadas também unicelulares de células endoteliais.
 

 

O cultivo de camadas unicelulares é relativamente fácil em laboratório, mas o problema consiste em conseguir descolar estas células da superfície onde foram cultivadas. A aplicação de enzimas neste processo provoca lesões graves nas membranas celulares alterando a homeostasia intracelular e consequentemente a função da própria célula, segundo o Dr. Okano, de acordo com o artigo publicado na revista “New Scientist”.
 

 

Por isso, estes investigadores desenvolveram um novo polímero sensível à temperatura - o Poly-N-Isopropylacrylamida. À temperatura de 37ºC, este polímero repele a água permitindo assim a aderência das células, baixando a temperatura para 35ºC, este torna-se hidrofílico, permitindo então a libertação da camada celular.
 

 

A pilha de 5 camadas de hepatócitos assim conseguida permaneceu funcional durante 4 meses. Se as células endoteliais formassem vasos, permitindo o suprimento sanguíneo, seria possível obter uma camada de células mais espessa.
 

 

Esta equipa está já a testar se transplantes do tecido assim obtido conseguem formar vasos sanguíneos viáveis após o implante em ratinhos de laboratório.
 

 

Espera-se assim num futuro, não muito longínquo, ser possível “produzir” órgãos em laboratório.
 

 

Fonte: NetDoktor
 

 

Adaptado por:
 

David Ferreira
 

MNI - Médicos na Internet

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