ProCura, a Rede Proteómica Nacional

Cientistas portugueses lançam-se ao estudo das proteínas

20 junho 2002
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Cientistas de três institutos de investigação portugueses estão a criar a Rede Proteómica Nacional, a ProCura, que visa integrar conhecimentos, recursos humanos e equipamentos para melhorar e acelerar o estudo das proteínas.
 

 

"A proteómica é o estudo em larga escala, e de forma o mais automatizada possível, das proteínas", explicou à Agência Lusa Deborah Penque, investigadora do Grupo de Fibrose Quística do Centro de Genética Humana do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), um dos dinamizadores do projecto.
 

 

A par desta unidade do INSA, os promotores da ProCura são o Departamento de Química da Universidade de Aveiro e a Unidade de Bioinformática do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC).
 

 

Para divulgar esta rede, que se iniciou em 2001 entre estas três unidades no âmbito de um projecto sobre fibrose quística, os investigadores agendaram para 02 de Julho um Dia Inaugural da ProCura, que se realizará no IGC, em Oeiras.
 

 

Além de explicar os objectivos e missões do projecto, este Dia pretende mobilizar novos membros para a rede ProCura, aberta de forma gratuita a todos os investigadores nacionais e estrangeiros que trabalhem em instituições portuguesas.
 

 

No mesmo dia será apresentado um site que vai suportar a iniciativa na Internet, alojado em http://www.procura-portugal.org**>.
 

 

A investigadora destacou a presença, neste Dia Inaugural, do presidente da recém-criada Organização do Proteoma Humano (HUPO, sigla em inglês), Samir Hanash, investigador na Universidade de Michigan.
 

 

"O objectivo é que haja uma maior interacção entre a comunidade científica portuguesa a trabalhar nesta área, tanto a nível de utilização de equipamentos como de determinadas técnicas, bem como troca de conhecimentos e experiências", salientou Deborah Penque.
 

 

 

Novas descobertas
 

 

Contribuir para a disseminação rápida da informação sobre novas descobertas e promover a formação avançada nas áreas da genómica e proteómica dos investigadores portugueses são outras missões desta rede.
 

 

Se a plataforma tecnológica vai ser comum, o uso que cada membro (individual ou como grupo) lhe dá pode ir desde estudos na área da genética humana, à análise de microorganismos ou ao nível da ciência básica.
 

 

Na página da Internet, que estará disponível também para o grande público, será criada uma base de dados portuguesa na área da proteómica.
 

 

"Ou seja, a cada membro da ProCura é dada a possibilidade de divulgar, para a comunidade científica portuguesa e/ou internacional, os resultados do seu trabalho", explicou.
 

 

Segundo a investigadora, a informatização do processo permite a análise e visualização de um grande número de proteínas simultaneamente.
 

 

A proteómica, uma área científica que se tem intensificado após a descodificação dos genomas de vários organismos (incluindo o do homem), é encarada pelos especialistas como a chave para resolver muitos problemas.
 

 

O que é a proteómica?
 

 

No fundo, a proteómica é a tecnologia que explora o proteoma, o conjunto de todas a proteínas expressas por uma determinada célula/tecido ou organismo.
 

 

São as proteínas que fornecem os blocos básicos que permitem aos tecidos transmitirem mensagens, repararem danos e desencadearem reacções que são essenciais à vida.
 

 

Se por um lado a proteómica permite, por exemplo, saber a totalidade de proteínas expressa por uma bactéria, possibilita também a comparação entre proteínas diferencialmente expressas.
 

 

"Ou seja, podemos observar as diferenças entre uma proteína de um organismo normal e outra potencialmente causadora de doenças", sublinhou a investigadora do INSA.
 

 

Identificar proteínas que possam ser usadas como diagnóstico (precoce) de determinadas doenças, como alguns cancros, ou estudar os efeitos de certas terapêuticas são outras potencialidades da proteómica.
 

 

"Esta área pode ainda ajudar a desenvolver novos medicamentos, cujos alvos são as proteínas e não os genes", afirmou a investigadora.
 

 

Fonte: Lusa
 

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