Processamento do discurso: textos médicos têm de atualizar a sua localização cerebral

Estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”

02 fevereiro 2012
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A parte do cérebro humano que processa o discurso encontra-se numa área diferente daquela que até hoje os cientistas admitiam, o que significa que todos os textos médicos têm de ser revistos e atualizados, de acordo com os autores estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

 

Durante muito tempo, acreditava-se que a área do cérebro conhecida por Wernicke, que tem o nome de um neurologista alemão que a definiu no final dos anos 1800, estivesse situada na parte posterior do córtex cerebral, atrás do córtex auditivo, que processa os sons.

 

Contudo, este novo estudo realizado pelos investigadores da Georgetown University Medical Center, nos EUA, que analisou mais de 100 ressonâncias magnéticas, demonstrou que a área de Wernicke encontra-se três centímetros mais próxima da parte frontal do cérebro, do outro lado do córtex auditivo – a quilómetros de distância em termos de arquitetura e função cerebral.

 

“Os livros de texto têm que ser todos reescritos”, revelou, em comunicado de imprensa, o principal autor do estudo, Josef Rauschecker.

 

Os investigadores analisaram a literatura científica tendo encontrado 115 estudos prévios que pesquisaram a perceção da fala, que incluíram no total 1900 indivíduos e mais de 800 coordenadas cerebrais para o processamento da fala.

 

A análise das imagens cerebrais, realizadas através da utilização de ressonância magnética ou por tomografia por emissão de positrões, revelaram que a área de Wernicke se encontra no lóbulo temporal esquerdo, especificamente no giro temporal superior. Esta nova localização da área de Wernicke fornece mais informação clínica sobre os pacientes que sofrem de danos cerebrais, como acidente cardiovascular, ou distúrbios da compreensão da fala. “Se um paciente não conseguir falar ou entender a linguagem, agora temos uma boa pista sobre a área onde o dano ocorreu", revelou Josef Rauschecker.

 

Por outro lado, estes resultados sugerem que a origem da linguagem dos humanos e dos primatas, cuja zona cerebral de processamento da linguagem se situa na mesma zona agora descoberta nos humanos, está mais próxima do que se pensava. O investigador explicou que os cientistas acreditavam que a linguagem era uma característica única dos seres humanos. Mas este estudo sugere que “a arquitetura e processamento da fala entre as duas espécies é mais similar do que muitos acreditavam.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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