Problemas na infância podem conduzir a alterações genéticas

Estudo publicado no “PLoS ONE”

02 março 2012
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As adversidades na infância podem conduzir a alterações genéticas e aumentar o risco de problemas psiquiátricos, dá conta um estudo publicado no “PLoS ONE”.

 

A associação entre as adversidades na infância, incluindo a perda de pais e os maus tratos na infância, e o risco de problemas psiquiátricos como a depressão e ansiedade já tinha sido abordada em vários estudos. No entanto, ainda não tinha sido definido como e porque motivo esta associação ocorria nos humanos. “Precisamos de entender a biologia deste efeito para desenvolver tratamentos mais eficazes e programas de prevenção”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Audrey Tyrka.

 

Neste estudo os investigadores da Brown University, nos EUA, focaram-se no campo da epigenética para determinar como as condições ambientais vividas durante a infância influenciavam a resposta biológica ao stress.

 

A epigenética compreende o estudo de alterações do genoma que não altera a sequência do ADN, mas influencia a expressão de genes. Tendo em conta que a ligação entre os maus tratos na infância e os problemas psiquiátricos estavam associados com uma hormona que regula a resposta biológica ao stress, os investigadores propuseram-se a identificar a via envolvida neste processo.

 

Os autores do estudo tinham conhecimento que alterações epigenéticas no gene que codifica o recetor do glucocorticóide , um regulador importante da resposta ao stress, poderiam ser afetadas pela relação das crianças com os pais na infância. Isto porque experiências anteriores realizadas em ratinhos mostraram que os animais que tinham poucos cuidados maternais apresentavam um aumento da metilação (um tipo de alteração epigenética) neste gene.

 

Neste estudo os investigadores contaram com a participação de 99 indivíduos adultos, alguns dos quais tinham perdido os pais ou foram vítimas de maus tratos na infância. A partir de amostras de sangue recolhidas aos pacientes, os investigadores extraíram o ADN e analisaram-no para identificar alterações epigenéticas no recetor do glucocorticóide. Adicionalmente os investigadores realizaram um teste de provocação da hormona para medir a hormona do stress, o cortisol.

 

O estudo revelou que os adultos que tinham historial de adversidades na infância apresentavam um aumento na metilação do gene que codifica o recetor do glucocorticóide , o que pode alterar o modo como o gene é expresso ao longo do tempo.

 

Audrey Tyrka conclui que os resultados deste estudo sugerem que “a exposição a experiências stressantes durante a infância pode alterar o genoma de um indivíduo. Este conceito pode ter grandes implicações na saúde pública, pois poderia ser um mecanismo para a associação entre os traumas de infância e problemas de saúde, incluindo doenças psiquiátricas assim como outras condições”.

 

A investigadora acrescenta que são necessários mais estudos para entender melhor qual o mecanismo da epigenética responsável por esta associação. “Este tipo de investigação poderá ajudar a perceber quem está sob maior risco e por que motivo, assim como ajudar no desenvolvimento de tratamentos que poderão reverter os efeitos epigenéticos resultantes da adversidades na infância.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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