Problemas na infância aumentam risco de depressão e inflamação

Estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”

06 julho 2012
  |  Partilhar:

Os problemas vividos na infância podem aumentar o risco de desenvolvimento de depressão e inflamação crónica, refere um estudo publicado na revista “Biological Psychiatry”.

 

O organismo responde aos danos físicos através da inflamação, como é o caso quando a garganta fica inflamada como resultado de uma gripe. Curiosamente há vários estudos que apoiam a ocorrência de um processo similar quando um indivíduo é exposto a um trauma psicológico. Contudo, este tipo de inflamação pode ser destrutivo.

 

Estudos anteriores estabeleceram uma ligação entre a depressão e a inflamação, particularmente em indivíduos que tinham sido a expostos a adversidades durante a infância, mas os resultados encontrados foram contraditórios.

 

Assim de forma a clarificar esta associação, os investigadores da University of British Columbia, no Canadá e da University of California, nos EUA, recrutaram um grupo de 147 adolescentes do sexo feminino, saudáveis, mas com elevado risco de depressão. Durante dois anos e meio, as participantes foram entrevistadas e foram colhidas amostras de sangue para avaliação dos níveis de dois tipos de marcadores inflamatórios, a proteína C reativa e a interleuquina-6 (IL-6). A exposição a problemas durante a infância foi também avaliada.

 

Os investigadores constataram que a exposição a problemas durante a infância conduzia à depressão, a qual era acompanhada por uma resposta inflamatória. As participantes que tinham sentido algumas adversidades durante a infância apresentavam elevados níveis de IL-6 e um maior risco de sofrer de depressão seis meses mais tarde. O mesmo não se verificou nas adolescentes que tiverem uma infância mais feliz.

 

“O que é relevante neste estudo, é que se identificou um grupo de pessoas que são mais suscetíveis ao desenvolvimento simultâneo da depressão e inflamação. O stress durante a infância é muitas vezes motivado pela pobreza, um dos pais sofrer de uma doença grave ou uma separação prolongada da família. Como resultado, estes indivíduos podem sofrer de depressões de difícil tratamento”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Gregory Miller.

 

Um outro achado interessante deste estudo é que a resposta inflamatória apresentada pelas participantes expostas a maiores níveis de adversidades foi detetável após seis meses, mesmo nos casos em que os sintomas depressivos já tivessem diminuído, o que significa que a inflamação é crónica. “Como a inflamação é crónica está envolvida noutros problemas de saúde, como a diabetes e doença cardíaca, e significa que estes indivíduos têm em média um maior risco de vir a desenvolver estas doenças. Assim, estes devem, juntamente com os médicos estar mais atentos a este tipo de problemas”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.