Problemas físicos e psicológicos em sobreviventes de cancro

Dados publicados na revista “Cancer Journal for Clinicians”

23 maio 2013
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Um artigo publicado na revista Cancer Journal for Clinicais” apresentou dados que atestam que os sobreviventes de cancro sofrem complexos danos físicos e psicológicos que afetam virtualmente o sistema de todos os órgãos.
 

Julie Silver, professora assistente da Harvard Medical School, EUA, e equipa defendem que os danos psicológicos e físicos nesses pacientes são o resultado dos tratamentos para o cancro, sendo que não são muitas vezes detetados e/ou não recebem tratamento, resultando em incapacidades várias.
 

Atualmente, mais de quatro em cada 10 pessoas irão desenvolver cancro durante a sua vida. Mais de duas em cada três dessas pessoas conseguem agora viver pelo menos cinco anos após o diagnóstico da doença. Isto deve-se a todos os progressos na área do diagnóstico, tratamento e suporte a doenças oncológicas que são prestados. Só nos EUA prevê-se que o número de sobreviventes de cancro aumente de 13,6 milhões para 18 milhões de pessoas em 2022.
 

O crescimento no número de sobreviventes das doenças do foro oncológico traz uma necessidade crescente de se abordar os efeitos de longo-termo exercidos pela doença e pelo tratamento da mesma. Em comparação com as pessoas que nunca tiveram cancro, os sobreviventes da doença afirmam terem uma pior qualidade de vida em termos físicos e emocionais.
 

A reabilitação multidisciplinar do cancro envolve uma equipa de profissionais normalmente constituída por fisiatras, fisioterapeutas, ergoterapeutas, terapeutas da fala e enfermeiros de reabilitação e tem-se demonstrado eficaz no controlo da dor, na função física e na qualidade de vida dos sobreviventes de cancro.  
 

Segundo o artigo publicado, um em cada quatro sobreviventes de cancro demonstram um pior estado de saúde física, sendo este número de um em 10 para as pessoas sem historial de cancro. Relativamente a problemas de saúde mental, nos sobreviventes de cancro o número ascende aos 10%, enquanto nas pessoas sem historial da doença, a percentagem não ultrapassa os 6%. Os autores sustentam que as incapacidades físicas e psicológicas estão frequentemente interligadas e que a incapacidade física nos sobreviventes do cancro constitui a principal causa do desgaste emocional.  
 

Os autores do artigo recomendam que os doentes oncológicos sejam submetidos a um programa de pré-reabilitação na altura do diagnóstico, que consiste numa espécie de percursor à reabilitação até ao momento em que começam o tratamento. O objetivo deste programa é fortalecer a saúde física e mental do doente antes de este ser submetido ao tratamento de modo a que o tolere melhor, apresentando menos problemas.

 

Torna-se também fundamental que os sobreviventes sejam submetidos a um rastreio de incapacidade física e mental, para que sejam adequadamente referenciados para especialistas. Todos os oncologistas, profissionais de saúde mental, enfermeiros e médicos de família devem estar informados sobre as perguntas, ferramentas e procedimentos adequados.
 

Para além do melhoramento da qualidade de vida dos sobreviventes do cancro, a reabilitação com enfoque nas incapacidades conduz à redução de despesas de saúde diretas e indiretas, reduzindo a enorme despesa trazida por esta doença.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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