Problemas de sono podem estar associados a risco de doenças cardiovasculares

Estudo publicado na revista “Circulation”

22 setembro 2016
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Os problemas de sono, como dormir pouco ou demasiado, podem estar associados a vários fatores que podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares, dá conta uma declaração da Associação Americana do Coração publicada na revista “Circulation”.
 

De acordo com a Fundação Nacional do Sono, nos EUA, o sono é essencial para um coração saudável. Os indivíduos que não dormem entre seis a oito horas por noite apresentam um maior risco de doença cardiovascular, independentemente dos hábitos, idade, peso, tabagismo e exercício. A falta de sono está associada ao stress, aumento da pressão arterial e secreção de adrenalina – todos estes são fatores de risco para a doença cardíaca. Contudo, estes riscos podem diminuir se a qualidade do sono for melhorada.
 

Por outro lado, dormir demais, mais de oito horas, também está associado ao risco de morrer de doença cardiovascular, o que sugere que há um equilíbrio entre a duração do sono e a saúde do coração.
 

Muita da investigação científica realizada sobre o sono e a saúde do coração tem-se focado na insónia ou apneia do sono. A insónia é definida como a dificuldade de adormecer ou manter o sono, pelo menos, três noites por semana durante três meses ou mais. A apneia do sono é diagnosticada quando um indivíduo tem uma média de cinco ou mais pausas na respiração, que pode durar de segundos a minutos, por hora de sono. As pausas são normalmente devido a um estreitamento das vias aéreas.
 

A associação entre os problemas de sono e a obesidade e a diabetes tem sido a temática mais estudada. Segunda Marie-Pierre St-Onge, da Universidade de Columbia, nos EUA, estas são as duas principais condições em que existem estudos de intervenção que demonstram que os fatores de risco são aumentados quando o sono se encontra alterado. Na obesidade, por exemplo, os estudos mostram que o sono influencia a ingestão de alimentos e pode ter um impacto direto no risco de obesidade. Contudo, os estudos têm sido de curta duração, sendo por isso necessárias investigações mais longas para avaliar o verdadeiro impacto no peso.
 

Da mesma forma, os estudos de longa duração poderiam também ajudar a perceber se as variações do sono ao longo da semana têm impacto nos níveis de colesterol, triglicerídeos ou marcadores inflamatórios.
 

De acordo com Marie-Pierre St-Onge, são também necessárias mais evidências para associar diretamente o sono inadequado ou parco à diabetes, pressão arterial elevada e doenças cardiovasculares. Na verdade a investigação nesta área tem sido, em grande, parte observacional estabelecendo uma conexão, mas não tem provado que os problemas de sono causam estas condições.

 

No entanto, a especialista refere que os profissionais de saúde deveriam questionar os pacientes sobre os seus hábitos de sono, nomeadamente, o tempo que dormem, se dormem bem e se ressonam.
 

Na sua opinião, os indivíduos com excesso de peso e que ressonam deveriam ser encaminhados para um especialista do sono para verificar se têm apneia. Do mesmo modo, os indivíduos com sono inadequado ou insónia devem ser orientados de forma a melhorar o seu sono.
 

"Os pacientes precisam estar conscientes de que o sono adequado é importante, tal como ser fisicamente ativo e adotar uma dieta equilibrada, rica em frutas, legumes, cereais integrais, carnes magras e peixes é importante para a saúde cardiovascular. O sono é um outro tipo de munição que podemos adaptar para melhorar a saúde”, conclui.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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