Problemas de sono em crianças podem afetar saúde mental

Estudo publicado no “Journal of Developmental Behavioral Pediatrics”

08 maio 2015
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É comum as crianças na primeira infância apresentarem dificuldades em adormecer ou acordar várias vezes durante a noite. Apesar de estes problemas de sono normalmente desaparecerem com o tempo, nem sempre isso acontece. Um novo estudo vem agora revelar que crianças de quatro anos de idade com problemas de sono apresentam um risco acrescido de desenvolver sintomas de doenças psiquiátricas aos seis anos de idade. De igual modo, crianças de quatro anos com sintomas psiquiátricos apresentam maior risco de desenvolver problemas de sono aos seis anos de idade.
 
Silje Steinsbekk, docente de Psicologia na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia e autora do estudo, havia já estudado a relação entre problemas de sono e problemas psicológicos em crianças, tendo demonstrado que crianças de quatro anos com problemas de sono apresentavam frequentemente também sintomas de problemas psicológicos.
 
A investigação agora levada a cabo revelou que a correlação entre problemas de sono e problemas psiquiátricos verifica-se ao longo do tempo e que esta relação é recíproca.
 
No estudo participaram mil crianças com quatro anos de idade, no âmbito de um estudo longitudinal em Trondheim, na Noruega, para avaliar a incidência, progressão e fatores de risco envolvidos no desenvolvimento de problemas mentais em crianças. Pais e crianças foram acompanhados e visitados de dois em dois anos.
 
Para o estudo os pais tiveram de realizar uma entrevista, onde os cientistas recolheram informação para determinar se as crianças apresentavam ou não sintomas de problemas de sono. 
 
Os resultados da investigação revelaram que a insónia é o problema de sono mais frequente, sendo diagnosticada em 16,6% das crianças de quatro anos consultadas.
 
A insónia aos quatro anos revelou aumentar o risco de sintomas de ansiedade, depressão, Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA)  e problemas de comportamento aos seis anos de idade. Ao tomar em conta os sintomas psiquiátricos de crianças aos quatro anos de idade, a relação entre a insónia e a PHDA desapareceu.
 
Por outro lado, os resultados revelaram também que crianças com sintomas de ansiedade, depressão, PHDA e problemas de comportamento aos quatro anos de idade possuíam maior risco de desenvolver insónia aos seis anos de idade. Quando se ajustaram os sintomas de insónia aos quatro anos de idade, a relação entre a insónia e a ansiedade desapareceu.
 
As explicações para esta reciprocidade entre a presença de sintomas de problemas de sono e sintomas de problemas psiquiátricos adiantadas pela autora do estudo variam desde motivos biológicos, como a genética, ao facto de a falta de sono poder criar desequilíbrios funcionais e vice-versa, até os problemas de sono e psiquiátricos partilharem fatores de risco, ou simplesmente que os problemas psiquiátricos roubam energia e sono às crianças, tornando-as mais agitadas e deprimidas. 
 
Dado que muitas crianças sofrem de insónia e apenas cerca de metade consegue ultrapassar esse problema com o crescimento, Steinsbekk considera que é importante conseguir identificar os casos problemáticos e apresentar tratamento eficaz. 
 
“Talvez o tratamento atempado de problemas de saúde mental também possa evitar o desenvolvimento de problemas de sono, uma vez que os sintomas psiquiátricos aumentam o risco de desenvolvimento de insónia”, revela Steinsbekk, alertando para a necessidade de estudos mais aprofundados sobre o tema.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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