Problemas de saúde reprodutiva: novas pistas

Estudo publicado na “Nature Communications”

11 maio 2015
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Uma equipa de investigadores conduziu um estudo que levou a descobertas sobre a origem de um dos tipos de células que constituem os ovários, bem como a forma como as células dos ovários partilham informação durante o desenvolvimento dos folículos ováricos.
 
A equipa do Instituto Nacional de Ciências de Saúde Ambiental, nos EUA, considera que esta nova informação sobre biologia básica dos ovários irá ajudá-los a perceber a causa dos problemas nos ovários, como a falência ovariana prematura e a síndrome do ovário policístico. Estes problemas resultam no desequilíbrio hormonal e em infertilidade nas mulheres.
 
Segundo Humphrey Yao, investigador daquela instituição e autor correspondente do estudo, o folículo ovárico constitui a unidade funcional básica do ovário, o qual contém o ovo rodeado por dois tipos distintos de células, chamadas células granulosas e células da teca. Eram já conhecidas as origens celulares do óvulo e das células granulosas, mas desconhecia as origens das células da teca, bem como o que orientava o desenvolvimento das mesmas. 
 
Através de “uma técnica denominada lineage tracing [rastreio de linhagem], determinámos que as células da teca em ratinhos provêm do interior e exterior do ovário, de um tecido embrionário chamado mesênquima”, explica o autor correspondente. “Não sabemos a razão pela qual as células da teca possuem duas fontes, mas isso diz-nos algo importante – um único tipo de célula poderá na verdade ser constituído por diferentes grupos de células”. 
 
As mulheres não conseguem produzir as hormonas que suportam o crescimento dos folículos sem as células da teca. Uma das principais hormonas produzidas por aquele tipo de células é o androgénio, uma hormona largamente considerada como sendo masculina. No entanto, as células granulosas, através de um trabalho notável de equipa, convertem o androgénio em estrogénio.
 
A equipa de Humphrey Yao conseguiu descobrir o sistema de sinalização molecular que permite às células da teca produzirem o androgénio. Esta via de comunicação é derivada das células granulosas e de outra estrutura no ovário denominada ovócito. Os investigadores não esperavam que existisse comunicação entre o óvulo, as células granulosas e as células da teca. Esta descoberta poderá, contudo, proporcionar informação sobre o surgimento dos problemas nos ovários.
 
“Agora que sabemos o que faz essas células desenvolverem-se podemos pesquisar mutações genéticas possíveis ou fatores ambientais que afetam o processo que conduz aos problemas das células dos ovários”, conclui Chang Liu, autor principal do estudo.
 
Futuramente a equipa irá debruçar-se sobre os dois tipos de células que perfazem as células da teca e verificar se os achados se aplicam aos humanos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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