Problemas de memória e aprendizagem poderão estar explicados

Estudo conduzido pela Fundação Champalimaud

23 agosto 2013
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Um grupo de investigadores descobriu que os graves problemas de memória ou de aprendizagem podem estar relacionados com a incapacidade de eliminar espinhas dendítricas, umas estruturas existentes nas ramificações dos neurónios, apurou a agência Lusa.

 

O estudo, que está inserido no âmbito do Programa Champalimaud de Neurociências, da Fundação Champalimaud, partiu de questões como “o que acontece no nosso cérebro quando nos esquecemos de algo?” ou “se a memória tem uma forma física, então qual será a forma de um esquecimento?”, a que os investigadores quiseram dar resposta.

 

Os investigadores, liderados por Inbal Israely, explicaram que as memórias são armazenadas no cérebro numas estruturas microscópicas, localizadas ao longo das ramificações dos neurónios, chamadas espinhas dendríticas. Segundo este estudo, a redução ou eliminação das espinhas dendríticas é um processo ativo que é necessário não só para o esquecimento, mas também para a aprendizagem e armazenamento de novas memórias.

 

Sendo assim, se se verificarem problemas com a eliminação de espinhas dendríticas irrelevantes, poderão haver sérios problemas de aprendizagem e memória.

 

O estudo dessas alterações poderá ajudar a compreender doenças que envolvem graves problemas de aprendizagem e memória: “Há evidência da ocorrência de alterações na estrutura e na quantidade das espinhas dendríticas em pacientes com atraso mental e, por isso, é fundamental perceber quais os mecanismos que controlam o aparecimento e desaparecimento destas estruturas”, afirma a investigadora.

 

“Quanto melhor percebermos como a estrutura das espinhas dendríticas muda quando aprendemos, mais saberemos sobre a base fisiológica deste tipo de doenças”, acrescenta Inbal Israely.

 

As espinhas dendríticas são os locais de contacto entre diferentes neurónios e onde as memórias se formam ou desaparecem. Sabendo-se já que a construção de novas memórias é acompanhada por alterações na forma das espinhas dendríticas (aumento e diminuição do seu tamanho), o que faltava conhecer era quais os mecanismos na base dessas alterações.

 

Yazmin Cortes, investigadora sénior do grupo, analisou a base fisiológica para a redução do tamanho das espinhas dendríticas. “O que observámos foi algo surpreendente. Pode parecer contraintuitivo, mas o que descobrimos é que é necessária a produção de novas proteínas para as espinhas dendríticas desaparecerem”, esclareceu.

 

As investigadoras conseguiram perceber ainda que, para além da produção de proteínas, também a atividade neural é responsável pela redução e desaparecimento das espinhas dendríticas. “Uma vez mais encontramos algo contraintuitivo pois, normalmente, a atividade neural leva ao aumento do número de espinhas dendríticas. No entanto, o que pensamos poder estar a acontecer é que a atividade neural funciona como um mecanismo de controlo do balanço de toda a rede neural”, afirma Inbal Israely.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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