Problema genético pode estar na origem do mau odor corporal persistente

Doença explicada no “American Journal of Medicine”

20 setembro 2011
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Algumas pessoas podem ter um inexplicável mau odor corporal, mas os cientistas descobriram poder tratar-se de um problema genético raro conhecido como "síndrome do cheiro de peixe".

 

A condição, conhecida clinicamente como trimetilaminuria, é causada pela emissão de quantidades excessivas do composto trimetilamina (TMA). O TMA é produzido com a digestão dos alimentos ricos numa substância chamada colina – incluindo peixes de água salgada, ovos, fígado e alguns legumes, como soja e feijão.

 

“Os indivíduos com esse distúrbio metabólico (trimetilaminuria) produzem mau odor esporadicamente, apesar de terem uma boa higiene”, explicou, o líder do estudo, Paul Wise, no Monell Chemical Senses Center,  em Filadélfia, no “American Journal of Medicine”, adiantando que “o impacto psicossocial que a trimetilaminuria provoca pode ser considerável”, no entanto, o “diagnóstico da doença é difícil sem exames especializados”.

 

A trimetilaminuria é causada por defeitos no gene FMO3, que dificulta a capacidade do organismo em metabolizar TMA e transformá-la em compostos livres de odor. O TMA em si tem um forte cheiro de peixe, mas apenas cerca de 10% a 15% dos pacientes com a trimetilaminuria tem um mau cheiro específico, o que também pode dificultar o diagnóstico.

 

Os portadores da doença podem herdar uma cópia com um defeito no gene FMO3 de ambos os pais, sendo que eles mesmos podem não ser afectados pelo distúrbio, mesmo sendo portadores. Se um dos pais tinha a doença, também iria transmiti-la.

 

Para o estudo actual, a equipa de Wise analisou a frequência com que a trimetilaminuria foi diagnosticada em pacientes que vieram procurar ajuda no centro Monell pelo inexplicável e persistente odor corporal.

 

Verificaram que cerca de um terço dos 353 pacientes apresentaram resultados positivos para a trimetilaminuria. O teste envolve medir o nível de TMA na urina após ser administrado à pessoa uma bebida com colina. Dos 118 pacientes que deram positivo, apenas 3,5% queixaram-se de sentir odor a peixe. Com muito mais frequência, relataram odor corporal em geral, mau hálito e um gosto estranho na boca.

 

Muitos dos pacientes no estudo tinham sido observados por vários médicos e dentistas antes de ser encaminhado para o Monell. O diagnóstico da doença é difícil sem exames especializados, e é ainda mais complexo pelo desconhecimento do distúrbio por muitos médicos.

 

Poucos laboratórios realizam testes para esta doença, mas uma maneira prática de avaliar se tem ou não a síndrome do cheiro de peixe é evitando alimentos ricos em colina. Se esta mudança de hábitos alimentares melhorar a sua condição, este será certamente um indício da causa subjacente  ao seu problema.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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