Probióticos podem aliviar sintomas semelhantes aos do autismo

Estudo publicado na revista “Cell”

10 dezembro 2013
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A comunidade de bactérias que popula o trato gastrointestinal influencia o comportamento social e emocional. Um novo estudo publicado na revista “Cell”, defende que alterações que ocorrem nesta comunidade podem também influenciar os comportamentos associados ao autismo.
 

“O autismo é habitualmente estudado como uma doença genética e um distúrbio do cérebro, mas este trabalho mostra que as bactérias intestinais podem contribuir para os sintomas associados ao autismo. A fisiologia do intestino parece ter um efeito naquilo que se assumia serem funções cerebrais”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Sarkis K. Mazmanian.
 

De forma a estudar a interação entre as bactérias intestinais e o cérebro, os investigadores do Instituto de Tecnologia da California, nos EUA, utilizaram ratinhos específicos, usados como modelo de estudo para o autismo. Como nos humanos as infeções virais graves aumentam o risco de uma grávida dar à luz um filho com autismo, os investigadores tentaram mimetizar este efeito nos animais.
 

O estudo apurou que os descendentes “autistas” das fêmeas imuno-ativadas apresentavam alterações intestinais. Foi verificado que o trato gastrointestinal destes ratinhos tinham “fugas”, ou seja, deixavam passar material através da parede intestinal para a corrente sanguínea. Esta permeabilidade intestinal já tinha sido associada a indivíduos autistas.
 

De forma a averiguar se estes sintomas gastrointestinais influenciavam os comportamentos semelhantes ao autismo, os investigadores trataram os ratinhos com Bacteroides fragilis, uma bactéria utilizada como terapia probiótica experimental em modelos animais de doenças gastrointestinais, a qual tratou a permeabilidade intestinal.
 

O estudo apurou ainda que o comportamento dos ratinhos se tinha alterado, ficando os animais mais propensos a comunicar entre si, com menor ansiedade e com menos propensão a apresentaram comportamentos repetitivos.
 

“O tratamento com Bacteroides fragilis alivia os sintomas gastrointestinais no modelo de ratinho e também melhora alguns dos principais sintomas do comportamento associado ao autismo. Estes resultados sugerem que os problemas gastrointestinais podem contribuir para os sintomas presentes nas doenças do neurodesenvolvimento”, referiu a primeira autora do estudo, Elaine Hsiao.
 

Os investigadores estão atualmente a planear um ensaio clínico para testar o efeito dos probióticos no tratamento dos sintomas comportamentais do autismo humano.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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