Privação do sono não se recupera no fim-de-semana

Estudo publicado no “Science Translational Medicine”

21 janeiro 2010
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Ficar uma noite sem dormir tem um impacto menor no rendimento e na atenção do que dormir menos de seis horas por dia durante duas semanas, aponta um estudo publicado na “Science Translational Medicine”.

 

No estudo, liderado por Daniel A. Cohen, do Brigham and Women's Hospital, em Boston, EUA, foram avaliados dados sobre o dia-a-dia de nove homens e mulheres saudáveis, com idades entre os 21 e os 34 anos. Os participantes foram submetidos a um programa de três semanas de sono/vigília que os obrigava a permanecer despertos 33 horas para descansarem 10.

 

Esta rotina de privação crónica do sono, que imitava, por exemplo, o horário típico de um polícia ou de um médico que realiza serviço de urgência, significava que os participantes dormiam apenas 5,6 horas por cada período de 24 horas. Os dados sobre um segundo grupo de participantes, que dormiam um período dito “mais normal” de oito horas por dia, foram usados como controlo para o estudo.

 

A equipa verificou que, imediatamente depois de um período de sono de 10 horas, os participantes privados do sono apresentavam um rendimento dentro dos parâmetros normais nos testes de avaliação da função cognitiva e tempo de reacção. Contudo, à medida que o estudo avançava, começou a diminuir a capacidade dos participantes cronicamente privados de sono de recuperar a função completa com cada sono de dez horas. As capacidades motoras, de concentração e atenção e a capacidade de permanecer alerta debilitaram-se no período subsequente às 33 horas de vigília.

 

O estudo lança um alerta aos profissionais cujas actividades requerem atenção contínua mas nas quais há o hábito de dormir pouco ou de trabalhar à noite. "Essas pessoas precisam de entender que menos de seis horas diárias de sono por mais de duas semanas causam um impacto muito maior no desempenho do que uma noite passada em claro (…) e não se recupera durante um ou dois dias", afirma Daniel Cohen.

 

A equipa de Cohen pretende descobrir agora quantas noites são necessárias para recuperar o deficit de sono.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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